Ultrapassar as contrariedades

Ultrapassar  as contrariedades

 

António Soares Marinho   Regional   18 de Nov de 2010, 16:25

O resultado líquido obtido pelo conjunto das “100 Maiores” atingiu 48 milhões de euros em 2009, revelando uma descida acentuada relativamente aos 62 milhões de euros que as “100 Maiores de 2008” tinham atingido, e muito mais em relação aos 87 milhões de euros de 2007

O ano de 2009 integra a totalidade dos sintomas da crise iniciada em meados do ano anterior. Os números das “100 Maiores” reflectem esse facto.
A dinâmica normal deste “ranking” não se fez sentir da mesma forma. As mudanças provenientes de processos de reorganização empresarial são menos evidentes e é notória a quebra verificada em alguns sectores, por força de uma conjuntura que se mostrou adversa.
Ao contrário do que antes acontecia, em 2009 são poucas as empresas que passam a integrar este conjunto. Apenas se assiste a cerca de 15% de entradas, quando em anos anteriores esse fenómeno atingia pelo menos um quarto do total das “100”.
Nas “10 Maiores”, a primeira metade é constituída pelas mesmas empresas, ordenadas na mesma posição relativa. Entre as restantes, há duas novas empresas.
Uma análise pormenorizada dos quadros desta publicação permite-nos ter uma ideia mais plena do “ranking” de 2009. Fica, de seguida, o comentário sobre alguns indicadores globais.

A importância das 100 Maiores
O conjunto das “100 Maiores” atingiu em 2009 um volume de vendas de 2,697 milhões de euros, o que representa uma descida de 1.6% em relação ao valor obtido no ano anterior. Refira-se, complementarmente, que 57 empresas se confrontaram com uma queda no seu volume de negócios em 2009, e que outras, embora beneficiando de uma subida, assistiram a um crescimento inferior à taxa de inflação. Mais de 60% das empresas do “ranking” tiveram em 2009 um decréscimo real do seu volume de negócios.
O resultado líquido obtido pelo conjunto das “100 Maiores” atingiu 48 milhões de euros em 2009, revelando uma descida acentuada relativamente aos 62 milhões de euros que as “100 Maiores de 2008” tinham atingido, e muito mais em relação aos 87 milhões de euros de 2007. Quanto à rentabilidade das vendas, reduz de 2.3% para 1.8% entre 2008 e 2009, quando já antes tinha recuado da percentagem de 4%. A rentabilidade do capital próprio desce de 6.3% para 4.7%, enquanto a do activo baixa de 1.8% para 1.4%. Estes recuos, que se sucedem aos que já se tinham verificado no ano anterior, evidenciam a situação crítica que a partir de 2009 se intensificou nos Açores. Foi óbvio o reflexo no comportamento do tecido empresarial açoriano.
O Valor Acrescentado Bruto das “100 Maiores” ascendeu a 583 milhões de euros em 2009. Este valor representa cerca de um quinto do valor total para a economia açoriana.
No final de 2009 trabalhavam 13,945 pessoas no conjunto das empresas do “ranking”. Ou seja, cerca de 12.5% da população empregada nos Açores.
Representando menos de 2% das empresas açorianas, é manifesta a importância do contributo das “100 Maiores” para a criação de riqueza e de emprego na Região.

As características das 100 Maiores
Os sectores do comércio e da distribuição representam 44% do total das “100”. Se a estas juntarmos as empresas que têm a sua actividade no domínio da prestação de serviços, chegamos à conclusão de que dois terços das “100 Maiores” se inscrevem no sector terciário da economia açoriana. De relevar ainda as empresas agrupadas no grupo da Agricultura e Pescas/Agro-indústrias, bem como as do sector da construção, ambas com um peso de 16% no total do “ranking”.
Em termos geográficos, São Miguel aloja quase quatro quintos das “100 Maiores” em 2009, mais precisamente 79% das empresas que integram a listagem. As empresas da Terceira correspondem a 16% do total. Completam a listagem mais uma empresa por cada uma das seguintes cinco ilhas: Santa Maria, São Jorge, Pico, Faial e Flores.

As melhores em 2009
Nos indicadores analisados nesta publicação, as empresas com melhores comportamentos em 2009 foram: Fábrica de Tabaco Micaelense, S.A. (Crescimento do Volume de Negócios), Carlos Soares de Mendonça & Ca., Lda. (Crescimento do Resultado Líquido), Cimentaçor – Cimentos dos Açores, Lda. (Rentabilidade dos Capitais Próprios), Zon TV Cabo Açoreana, S.A. (Rentabilidade do Volume de Negócios), Frutaria S. Miguel - Martins, Amaral & Ca., Lda. (Solvabilidade) e Euroscut Açores – Sociedade Concessionária da SCUT dos Açores, S.A. (Produtividade).
A Fábrica de Tabaco Micaelense, S.A. obteve o título de Melhor Empresa dos Açores.
 
Desafio em anos difíceis
Depois de dois anos complexos, as empresas açorianas gostariam que 2010 fosse o ano de inversão da tendência descendente que a economia açoriana tem atravessado. Não está, contudo, a ser um ano de bonança para o tecido empresarial açoriano.
Mais de três quintos das “100 Maiores” assistiram a quebras reais de negócios em 2009. O ano de 2010 não trouxe melhores dias e 2011 prepara-se também para ser um ano pouco propício à recuperação.
As empresas açorianas têm, por isso, que assumir uma atitude assente em duas vertentes que eventualmente se podem chocar: deve ser prudente, já que a conjuntura se pode revelar adversa, mas deve ter alguma audácia, para “espreitar” as oportunidades que as alturas de crise sempre trazem.
O tecido empresarial açoriano já passou por muitas situações desfavoráveis. Já se habituou a constrangimentos, inclusivamente os determinados pelo contexto geográfico dos Açores. Já venceu inúmeros desafios.
Vai, seguramente, ultrapassar as actuais contrariedades.


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