UGT acusa patrões de pressão contra a greve


 

Lusa/AO On Line   Nacional   23 de Nov de 2010, 06:09

 O secretário geral da UGT, João Proença, disse hoje que existem pressões para obrigar os trabalhadores a não fazerem greve, nomeadamente na CP, e reconheceu que existe algum receio nalgumas empresas, em especial no setor empresarial do Estado.

“As pressões existem e num país com a terceira maior precariedade laboral da Europa, eventualmente atrás da Polónia e de Espanha, é evidente que há muitos trabalhadores que receiam fazer greve e há muitas maneiras de fazer pressões, incluindo em empresas do setor empresarial do Estado”, disse.

João Proença falava hoje em Lisboa no final de uma reunião com confederações sindicais europeias, na qual esteve também presente o secretário geral da CGTP, Carvalho da Silva, e o secretário geral da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), John Monks.

Questionado sobre pressões junto dos trabalhadores para não fazerem greve, o secretário geral da UGT deu como exemplo a CP, indicando que esta tem enviado cartas com assinatura ilegível a indicar que os trabalhadores são obrigados a trabalhar.

Este caso foi hoje denunciado pelo coordenador da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), que classificou a atitude como ilegal, mas a empresa respondeu, em declarações à Lusa, que "atua, como sempre, no estrito cumprimento da lei".

Relativamente a uma eventual requisição civil do Governo para o setor dos transportes, João Proença relembrou que já houve um caso em que os trabalhadores desobedeceram e ganharam depois a causa em tribunal.

Já no que respeita aos serviços mínimos, João Proença adiantou que no caso da CP e da Soflusa o que foi declarado não respeita o quadro imposto pelo Código do Trabalho, que indica claramente que aqueles só são válidos no caso de serviços sociais impreteríveis e em que estejam em causa a saúde e a segurança das pessoas e os bens perecíveis.

Carvalho da Silva sustentou esta afirmação, indicando que a generalidade das empresas não tem que fazer serviços em termos de percentagem de ocupação e que em Portugal nunca houve problemas em setores abrangidos pelos serviços mínimos, sendo garantida, por exemplo, a prestação de cuidados de saúde.

Os secretários gerais das duas centrais sindicais estão convictos de que a greve geral de quarta feira terá grande adesão. "Posso afirmar que estamos a fazer uma grande mobilização e que há um extraordinário acolhimento à mensagem da greve e uma disposição enorme dos trabalhadores para participarem na greve. Vamos ter uma grande greve", estima Carvalho da Silva.


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