U2: a banda que nunca foi à universidade e o vocalista vendedor ambulante de canções

U2: a banda que nunca foi à universidade e o vocalista vendedor ambulante de canções

 

Lusa / AO online   Cultura e Social   3 de Out de 2010, 12:35

Os U2 não conheciam Coimbra, onde atuaram na noite de sábado, mas o vocalista Bono Vox, autointitulado vendedor ambulante de canções de uma banda que “nunca foi à universidade” sabe que a cidade tem uma universidade “antiga”.

As mais de duas horas do primeiro dos dois concertos agendados para Coimbra mostraram uns U2 em comunhão com o público português, embora sem grandes surpresas no alinhamento de 24 canções, decalcado, quase na totalidade, de um espetáculo em Zurique, há três semanas.

Passada cerca de meia hora de espetáculo, o vocalista dirigiu-se à assistência, em português, com um “olá malta” mas antes já tinha gritado pela “Briosa”, um dos nomes pelo qual a Associação Académica de Coimbra é conhecida.

Depois, classificou os fãs de “gente barulhenta” – e o barulho revelou-se, aí sim, verdadeiramente ensurdecedor – antes de demonstrar os conhecimentos sobre a “antiga” Universidade de Coimbra.

“Esta banda nunca foi à universidade”, disse Bono Vox, encetando uma ronda de entrevistas aos companheiros dos U2, inquirindo-os sobre o que fariam hoje, profissionalmente, se tivessem estudado em Coimbra.

O guitarrista The Edge mostrou-se indeciso, Larry Mullen Jr, o baterista, seria exatamente aquilo que é, músico profissional, e o baixista Adam Clayton arriscou em engenheiro químico.

“Eu sou um vendedor ambulante, vendo cantigas com os meus amigos”, declarou Bono Vox.

Os U2 entraram no recinto pela pista de ‘tartan’, às 21:43, ao som de Space Oddity, de David Bowie e, dois minutos volvidos - com Bono na passadeira que rodeia o palco e as luzes do estádio acesas – a banda “atirou-se” ao instrumental “Return Of The Stingray Guitar”.

Seguiu-se “Beautiful Day”, o primeiro momento de festa entre o público que esgotou o estádio Cidade de Coimbra, “I Will Follow” (do primeiro álbum, “Boy”) e “Get On Your Boots”.

“Magnificent”, “Mysterious Ways” e um excerto de “Let It Be”, dos Beatles, antecederam outro momento alto da noite, “Elevation”, a que se seguiu “Until The End of the World”.

Depois, um dos “hinos” da banda irlandesa (I Still Haven't Found What I'm Looking For), entoado em uníssono pelo público, a balada “North Star”, “Mercy” e “In a Little While”, tema que antecedeu uma mensagem da Estação Espacial Internacional, testemunhada no gigantesco ecrã vídeo.

A componente tecnológica da digressão “360º Tour” ficou, aliás espelhada em “Miss Sarajevo”, primeiro, e, especialmente, em “City of Blinding Lights”, com a estrutura de palco, com 30 metros de altura, totalmente iluminada e o ecrã vídeo a estender-se a poucos metros da cabeça dos músicos.

A lista de músicas continuou com “Vertigo”, tema de abertura de “How to Dismantle an Atomic Bomb” (2004), antes de “I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight” e outro hino, “Sunday Bloody Sunday”, com duas mãos, no ecrã, a simularem um coração.

Foi então, altura, da mensagem política, ao som de um excerto de “Mothers Of The Disappeared”, com a referência, vocal e visual, a Aung San Suu Kyi, a ativista birmanesa dos direitos humanos, há anos em prisão domiciliária por determinação do regime ditatorial daquele país asiático.

“Walk On” deixou a mensagem social – e a passadeira encheu-se de lanternas da campanha apoiada pelos U2 contra a pobreza extrema – antes da banda ensaiar uma primeira saída de palco: “linda noite”, exclamou Bono.

O sul-africano Desmond Tutu “substituiu-se” ao grupo no ecrã, por dois minutos, antes dos primeiros acordes de “One”.

Bono, de guitarra verde na mão, assumiu, sozinho, uns versos da tradicional “Amazing Grace” até à “explosão” de “Where The Streets Have No Name” e o estádio inteiro aos pulos.

Três temas mais, até final – “Hold Me, Thrill Me, (…)”, “With or Without You” e “Moment Of Surrender”.


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