Tusk diz que os dias da imigração ilegal para a Europa terminaram

Tusk diz que os dias da imigração ilegal para a Europa terminaram

 

Lusa/AO Online   Internacional   8 de Mar de 2016, 06:29

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, defendeu hoje que os dias da imigração ilegal para a Europa terminaram, depois de fazer uma declaração em Bruxelas sobre as migrações com os chefes de Estado e de Governo dos 28.

Os dirigentes europeus, que voltarão a reunir-se na próxima semana, aceitaram hoje trabalhar sobre as propostas que lhes foram apresentadas pela Turquia, que condicionam a cooperação com a UE à aceleração da liberalização dos vistos e ao reforço dos meios financeiros para apoiar os mais de dois milhões de refugiados acolhidos no país.

“A União Europeia ajudará a Grécia a pôr em marcha operações de retorno em grande escala de imigrantes para a Turquia”, declarou Tusk numa conferência de imprensa, em Bruxelas.

“O fluxo da Turquia para a Grécia permanece demasiado elevado e deve reduzir-se significativamente”, assinalou Tusk, observando que o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, confirmou o compromisso de Ancara de aceitar o rápido retorno de migrantes da Turquia para a Grécia que não têm necessidade de proteção internacional”.

“Todas as decisões mencionadas enviam uma mensagem muito clara de que os dias da imigração ilegal para a Europa terminaram”, frisou.

Ahmet Davutoglu fez eco das declarações de Tusk, na conferência de imprensa conjunta, que também contou com Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia.

Ancara pediu um compromisso dos 28 para que recebam um refugiado por cada migrante que seja admitido na Turquia.

“Vamos aceitá-los com base na assunção de que por cada sírio readmitido pela Turquia procedente das ilhas gregas outro sírio [a partir da Turquia] será realocado” pelos estados-membros da União Europeia, o que contribuirá para lutar contra as máfias que se dedicam ao tráfico de refugiados e contra a imigração ilegal e proporcionar vias legais de entrada no bloco, afirmou o líder turco.

O primeiro-ministro turco disse que Ancara “não está a pedir nada a ninguém”, numa referência aos 3.000 milhões de euros adicionais que solicitou à UE para travar o fluxo de imigrantes para a Europa, mas antes “uma distribuição equitativa dos encargos”.

A Turquia acolhe neste momento 2,7 milhões de refugiados no seu território, ou seja, 10.000 milhões para os que se encontram em acampamentos e 20.000 milhões se somados os que se encontram noutros lugares, afirmou.

Davutoglu recordou que na cimeira de 29 de novembro ficou claro que os 3.000 milhões de euros concedidos então à Turquia eram “iniciais” e assegurou que “nem um único cêntimo” se destina aos turcos, mas aos sírios, servindo para erguer escolas e hospitais para melhorar as suas condições de vida.

O primeiro-ministro turco explicou que como a Turquia começou o processo de readmissão de refugiados a partir da Grécia antes do previsto – na semana passada – solicitou à UE que se antecipe, para finais de junho, a liberalização de vistos, prevista para outubro.

“É importante para nós ver isso como um pacote do processo de adesão da Turquia à UE. É um processo humanitário sim, mas ao mesmo tempo também uma questão estratégica”, que integrará o país na União e impulsionará as relações entre as partes, disse.

Davutoglo pediu novamente, esta segunda-feira, à UE para que abra, “o quanto antes”, “cinco novos capítulos nas negociações da adesão da Turquia à União Europeia, nas áreas da energia e assuntos internos.

O presidente da Comissão Europeia sublinhou, por seu turno, que se alcançou “um princípio de acordo” sobre o novo plano de cooperação com a Turquia que representa uma “verdadeira mudança do jogo”.

“Nós asseguraremos que a única maneira viável de chegar à Europa seja os canais legais”, sustentou Juncker, ao garantir que os detalhes destas propostas serão finalizados nos próximos dez dias.


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