Turistas e residentes divergem sobre pagamento de tarifas na lagoa das Furnas

Turistas e residentes divergem sobre pagamento de tarifas na lagoa das Furnas

 

Lusa/AO Online   Regional   2 de Mar de 2015, 04:00

Turistas e residentes divergem sobre a entrada em vigor, na lagoa das Furnas, Açores, de um pacote de taxas que vai desde o pagamento da entrada no local, ao pagamento dos cozidos e estacionamento.

A Câmara Municipal da Povoação anunciou a 13 de fevereiro a entrada em vigor a 01 de março das tarifas num dos espaços mais procurados nos Açores pelos turistas.

Sónia Cipriano, residente em Ponta Delgada, disse à Lusa que é contra o pagamento de tarifas no espaço da lagoa das Furnas, porque se trata de uma beleza natural de que as pessoas devem usufruir sem pagamento.

“Dantes não se pagava nem os cozidos. Porque é que agora vamos pagar? O que é que mudou? Melhoraram alguma coisa? Ainda não vi nada! Para se cobrar tem que melhorar muito o que existe”, considera.

Já a turista nacional Rosa Brás concorda parcialmente com o pagamento de taxas se os valores forem utlizados na melhoria das instalações sanitárias, por exemplo, ou na criação de postos de trabalho.

Luís Dias, do Porto, residente em Ponta Delgada, que levou hoje os pais a conhecerem o espaço, considera que tem alguma lógica a adoção de taxas na perspetiva da preservação do espaço, mas defende que os açorianos deveriam estar isentos.

Álvaro Fernandes, de Santarém, concorda que se deve aplicar uma taxa para a realização dos cozidos, mas sublinha que o turista procura o espaço para ver as belezas naturais, sendo confrontado com uma taxa de estacionamento de que considerou muito caro.

Afonso Quental, natural da Maia, concelho da Ribeira Grande, defende que a entrada deveria ser livre, enquanto no que concerne ao pagamento do cozido, sempre se habituou a dar uma gorjeta aos funcionários, sublinhando que acha excessivo o número das taxas em causa.

Nélia Costa, da ilha de São Miguel, acha que se só se pagasse a entrada na lagoa das Furnas (0.50 cêntimos) subscrevia a medida, mas é contra piqueniques “às pressas”, porque se está a pagar o estacionamento da viatura, para além de outros serviços.

O vendedor ambulante António Amaral, natural das Furnas, que se encontra há 30 anos na lagoa, está expectante, mas não deixa de referir que as pessoas quando foram confrontadas durante o dia de hoje com a barreira na entrada, “voltaram para trás porque não queriam pagar”.

Rogério Mendonça, que está desde hoje a coordenar o espaço, considera ser prematuro fazer, para já, um balanço, da implementação das taxas, uma vez que se está numa fase de adaptação.

Muito embora não tenha termo de comparação, Rogério Mendonça afirma que até às 16h00 de ontem entraram no local cerca de 300 pessoas, muitas das quais residentes que se deslocaram ao local por curiosidade, para além dos turistas, que foram em maior número.

O coordenador da Lagoa das Furnas destaca que, acima de tudo, se pretende “introduzir regras” no local e criar melhores condições para que se usufrua do espaço.

De acordo com a decisão da Câmara Municipal da Povoação, a entrada na lagoa das Furnas custará 50 cêntimos, por pessoa, com isenção a crianças até 12 anos, aos residentes nas Furnas e a todos quantos possuam o Cartão Amigo do Parque da direção regional do Ambiente.

Cada cozido custará três euros por panela aos residentes, enquanto os empresários da restauração pagarão 2,5 euros por panela".

O estacionamento no local, por seu turno, é taxado das 8h00 e as 20h00, ficando isentos os autocarros, táxis e os veículos da restauração.

O Movimento Lagoa das Furnas, criado recentemente, quer que o presidente da Câmara Municipal da Povoação suspenda entretanto a entrada em vigor de taxas naquele espaço para que a comunidade possa ser ouvida sobre a matéria.

Também a restauração está contra a adoção de taxas porque considera que esta medida vai ser penalizadora em termos turísticos.


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