Turismo criativo e cultural cresce no Algarve em alternativa ao turismo massificado

Turismo criativo e cultural cresce no Algarve em alternativa ao turismo massificado

 

Lusa / AO online   Economia   19 de Jul de 2014, 12:13

A aposta no turismo criativo e cultural está a crescer em algumas cidades algarvias, que querem atrair viajantes interessados em 'mergulhar' na cultura e tradições locais, em alternativa ao turismo de massas, típico do litoral.

 

Com zonas balneares de luxo, como Vilamoura ou a Quinta do Lago, e uma extensa área de serra e barrocal, Loulé está a apostar numa oferta diferenciada e tornou-se na primeira cidade portuguesa a integrar a rede mundial de turismo criativo, sendo agora uma cidade "amiga" da criatividade, disse à agência Lusa uma agente ligada ao projeto.

Também em Faro, principal porta de entrada no Algarve, mas de onde a maioria dos turistas partem para outros destinos da região, começa a surgir oferta na área do turismo cultural, direcionada para quem quer envolver-se nas histórias e costumes da cidade e não passar apenas umas férias à beira mar.

“As pessoas querem levar para casa experiências marcantes, muito à base de emoções”, referiu Graça Palma, sublinhando que experimentar a cultura e as tradições “proporciona um turismo de qualidade, que não vai atrás do imediato”, com impacto também na "autoestima" dos habitantes, que já não valorizavam certas atividades.

O projeto Loulé Criativo, impulsionado pelo município e pela ProActiveTur, tem como objetivo levar os turistas a descobrir e realizar atividades típicas locais, envolvendo artistas e outros agentes, ligadas às artes e ofícios, mas também à gastronomia, entre outras, explicou.

Até ao final do ano, a ProActiveTur, que já tem consolidadas ofertas na área do turismo de natureza, mais no interior, espera ter fechado um catálogo de “experiências”, que podem passar por aprender a fazer pasta de amêndoa ou papas de milho, brinquedos em cana e peças de olaria ou cestaria, acrescentou Graça Palma, daquela empresa.

Na capital algarvia, rodeada pela Ria Formosa, mas ainda sem capacidade para cativar grandes grupos de turistas, que fiquem na cidade vários dias, também começa a surgir alguma oferta na área do turismo cultural, que visa fazer com que os turistas “se sintam farenses enquanto estão na cidade”, disse à Lusa um empresário.

Ernesto Cabrita, que trabalhava na área da banca, deixou o emprego e dedicou-se a pesquisar factos e curiosidades da história da cidade, estando desde fevereiro a promover visitas guiadas na cidade, que incluem passeios à noite nos quais são desvendados mitos e lendas de Faro.

A ideia é dar a conhecer aos turistas “o que é genuíno”, com passagem em edifícios históricos, alguns fora do roteiro turístico habitual, através de passeios estruturados em que o empresário transmite não só a história, como os costumes e as tradições da cidade, levando-os a apreciarem a gastronomia local, entre outros.

Apesar de o projeto ainda estar em fase inicial, a Look-Al, idealizada por Ernesto Cabrita, já promoveu alguns passeios com turistas cujo interesse é “conhecer a genuinidade dos povos”, embora os passeios também se dirijam aos locais que queiram saber mais sobre a história da sua cidade.

A tendência é comprovada pelo presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, que diz querer afirmar a cidade como um destino turístico alternativo ao sol e mar, embora assuma as dificuldades em captar turistas, também devido à falta de camas no concelho, comparativamente com outros destinos na região.

“As taxas de ocupação são muito grandes, mas não conseguimos ter grupos grandes a vir para a cidade, é um constrangimento que nós temos”, afirmou, acrescentando querer captar eventos de renome que possam levar pessoas ao concelho.


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