Tsipras anuncia demissão e apela à convocação de eleições antecipadas

Tsipras anuncia demissão e apela à convocação de eleições antecipadas

 

Lusa/AO online   Internacional   20 de Ago de 2015, 19:02

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou a sua demissão e apelou à convocação de eleições antecipadas na Grécia, numa declaração ao país através da televisão pública grega.

 

"O meu mandato de 25 de janeiro [eleições legislativas que foram conquistadas pelo Syriza, coligação de esquerda radical] expirou. Agora o povo deve pronunciar-se. Vocês com o vosso voto vão decidir se negociámos bem ou não", disse Tsipras, na mensagem transmitida pelo canal estatal helénico.

"Irei logo encontrar-me com o Presidente da República [Prokopis Pavlopulos] e apresentar-lhe a minha demissão e do meu governo", referiu o político grego.

Segundo a comunicação social grega, Alexis Tsipras deverá propor a realização das eleições antecipadas para o próximo dia 20 de setembro.

Na declaração à Nação, o primeiro-ministro demissionário frisou que o povo grego deve decidir através do voto "quem deve conduzir a Grécia num caminho difícil mas esperançoso", bem como a força política "que irá negociar melhor a redução da dívida".

"Peço um mandato forte para um governo estável, que em conjunto com a sociedade deseja reformas progressistas", destacou Tsipras, prometendo que, no âmbito do programa de resgate, irão existir "medidas equivalentes" para reduzir o impacto da recessão, o que implicará ajustes previstos do plano.

"Não conseguimos o acordo que queríamos, mas dada a situação, conseguimos o melhor possível", disse o primeiro-ministro helénico demissionário.

Mesmo assim, Alexis Tsipras afirmou estar "orgulhoso com a negociação" que o seu governo manteve com os credores internacionais, garantindo ter "a consciência tranquila", porque "a Europa não é mesma depois destes últimos seis meses".

Na mesma intervenção, Tsipras recordou que os credores internacionais propuseram inicialmente "um período de financiamento de cinco meses" e medidas duras como "a eliminação das ajudas sociais", medidas essas que seriam seguidas por novas negociações, mas que o seu governo conseguiu alcançar "um acordo de três anos".

O político helénico afirmou sentir-se "otimista" apesar "das dificuldades" e avançou que um eventual novo governo liderado pela sua força política irá continuar a lutar contra a corrupção e a evasão fiscal.

A possibilidade de eleições antecipadas tem estado "em cima da mesa" desde que a aprovação de um terceiro resgate para a Grécia revelou grandes divisões na coligação da esquerda radical Syriza.

Um terço dos deputados do Syriza afrontou o primeiro-ministro Alexis Tsipras na votação do pacote para três anos, no valor de 86 mil milhões de euros, forçando-o a apoiar-se nos partidos da oposição para o ratificar.

Na segunda-feira, o ministro da Energia, Panos Skourletis, defendeu que as eleições antecipadas eram indispensáveis para manter a estabilidade política no país.


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