"Troika" e Segurança Social aquecem debate entre Passos e Costa

"Troika" e Segurança Social aquecem debate entre Passos e Costa

 

Lusa/AO Online   Nacional   10 de Set de 2015, 06:24

O recurso à "troika" e o futuro da Segurança Social aqueceram o debate entre o secretário-geral do PS, António Costa, e o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, com o socialista ao ataque.

 

Num frente a frente transmitido por RTP, SIC e TVI, o secretário-geral do PS acusou a coligação PSD/CDS-PP de querer promover a especulação financeira através do plafonamento da Segurança Social, o que comparou a lançar os contribuintes "na situação em que estão os lesados do BES". Passos Coelho voltou a acenar com a anterior governação do PS: "Especulação foi aquilo que o Estado fez e ia fechando em 2011".

O presidente do PSD negou a intenção de fazer cortes de 600 milhões de euros nas pensões, mas insistiu que é preciso um acordo para encontrar poupanças nesse valor e considerou que não será difícil, apontando o programa no PS: "Verificamos que há várias medidas que se destinam a reforçar a Segurança Social, e perfazem muito mais do que 600 milhões por ano".

Por outro lado, Passos Coelho disse que a coligação PSD/CDS-PP propõe um "plafonamento horizontal" da Segurança Social que "é muito limitado, atinge muito poucas pessoas e só novos contratos para futuro", e alegou que o PS propõe um "plafonamento horizontal" que abrange "toda a gente", referindo-se à redução temporária das contribuições inscrita no programa dos socialistas.

Antes, António Costa acusou Passos Coelho de ter desejado a vinda da 'troika', recuperando declarações suas feitas há quatro anos, e de ter duplicado a austeridade imposta pelo resgate de 2011. O primeiro-ministro considerou "ridículo" que se procure responsabilizar o PSD pela chegada da 'troika' e apontou que "o PS ainda era Governo e já estava a cortar salários.

Neste debate realizado no Museu da Eletricidade, em Lisboa, e transmitido em simultâneo por RTP, SIC e TVI, o secretário-geral do PS afirmou querer "virar a página da austeridade" e repetiu que Passos Coelho "quis a 'troika'" em Portugal. Para esse efeito, foi buscar a seguinte frase ao Jornal de Notícias de 30 de abril de 2011: "A 'troika' está cá a nosso pedido".

Passos Coelho considerou "uma absoluta mistificação estar a querer insistir que a responsabilidade pela vinda da 'troika' cabe ao PSD", retorquiu que "o PS chamou a 'troika' no Governo e negociou com ela justamente porque o país tinha perdido o acesso a financiamento", e enquadrou a participação dos sociais-democratas na negociação do programa de resgate.

"É verdade que o PSD teve uma reunião com a 'troika', em que durante uma hora disse o que pensava. Eu espero que isso tenha servido para alguma coisa na dimensão estrutural do programa, mas não venha inverter as coisas", disse.

No que respeita ao emprego, António Costa afirmou que não apresentará uma meta quantificada para a criação de postos de trabalho, alegando ter aprendido com erros do passado, enquanto Passos Coelho comparou os números dos últimos quatro anos com os dos seis anos anteriores de governação do PS.

Segundo o chefe do executivo PSD/CDS-PP, nos últimos quatro anos foram destruídos 204 mil empregos, enquanto no tempo de José Sócrates a população empregada tinha diminuído em cerca de 174 mil. Quanto ao desemprego, Passos referiu que com o atual Governo a população desempregada baixou em cerca de 30 mil, quando nos seis anos anteriores tinha aumentado em 208 mil.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.