Tripulantes de navio abandonado nos Açores já receberam salários em atraso


 

Lusa/AO Online   Regional   27 de Jan de 2017, 12:04

A tripulação do navio de transporte de combustíveis "Chem Daisy", detido no porto das Horta desde maio do ano passado, com problemas no sistema propulsor, já recebeu todos os ordenados em atraso.

 

A advogada dos tripulantes, Joana Borges, disse hoje à Lusa que os trabalhadores chegaram a um "acordo extrajudicial" com o credor hipotecário do navio e que, por essa razão, levantaram a providência cautelar que tinham intentado contra o armador turco.

"Foi finalmente firmado um acordo de cessão de créditos, tendo os trabalhadores sido ressarcidos da totalidade dos créditos salariais, no dia 18 do corrente mês", adiantou.

Os tripulantes (11 marinheiros turcos e dois portugueses) abandonaram o navio em agosto de 2016 com cerca de 165 mil euros de ordenados em atraso, apesar do "absoluto silêncio" da entidade patronal.

A empresa turca proprietária do barco, a White Daisy Shipping, Ltd, tinha sido contratada pela Transinsular para assegurar o transporte de combustíveis inter-ilhas, mas acabou por abandonar o navio e os trabalhadores.

"Desde abril de 2016 que a tripulação do navio se encontrava sem auferir salários, nem qualquer apoio por parte da sua entidade patronal, o que, além de condicionar a sua subsistência condigna, impossibilitava o regresso a casa dos marinheiros turcos", lembrou Joana Borges.

O acordo agora alcançado com os tripulantes permitiu levantar o "procedimento cautelar de arresto do navio", intentado pelos trabalhadores junto da Comarca dos Açores, permitindo que a embarcação fique livre de processos judiciais e possa finalmente ser vendido.

Segundo o capitão do Porto da Horta, Rafael da Silva, continuam a decorrer negociações com vista à eventual aquisição do navio, por parte de empresas ligadas ao transporte marítimo de combustíveis.

O barco, construído em 2010, operava com bandeira de Malta, tem 85 metros de comprimento e 12,6 metros de boca, e continua atracado no cais comercial do porto da Horta, sem combustível a bordo e sem tripulação.


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