Tribunal inicia julgamento que opõe 16 trabalhadores e proprietário do Hotel Horta

Tribunal inicia julgamento que opõe 16 trabalhadores e proprietário do Hotel Horta

 

Lusa/AO Online   Regional   7 de Jan de 2015, 05:56

O Tribunal da Horta, nos Açores, ouviu hoje os trabalhadores do Hotel Horta que foram despedidos depois daquela unidade hoteleira de quatro estrelas ter encerrado, a 31 de maio de 2013.

Os 16 funcionários (incluindo o antigo diretor do hotel) exigem o pagamento da totalidade das indemnizações a que dizem ter direito, pelos anos de serviço prestados, mas o Grupo Soturim (proprietário da unidade) alega que os trabalhadores "abandonaram o local de trabalho".

O advogado de defesa, que representa os donos do Hotel Horta, alegou hoje em tribunal, na primeira sessão de audiência, que os funcionários não esperaram por receber as cartas de despedimento coletivo para abandonarem o posto de trabalho.

Este argumento é contestado pelo advogado de acusação, que representa os funcionários, que garante que os trabalhadores se apresentaram ao serviço, nos dias seguintes ao encerramento da unidade, mas que nunca conseguiram entrar no edifício.

Uma versão confirmada por Pedro Ranito, ex-diretor do Hotel Horta, que também avançou com uma queixa em tribunal contra a sua antiga entidade patronal, por discordar dos valores das indemnizações propostas.

"Não fomos nós que abandonámos o hotel. Foi o hotel que nos abandonou", insistiu Pedro Ranito, em declarações aos jornalistas, no final da sessão, recordando que até ao encerramento daquela unidade hoteleira, os trabalhadores cumpriram sempre as suas funções "mesmo com salários em atraso".

A acusação de abandono é também refutada por João Decq Mota, dirigente sindical, que representou os trabalhadores durante as negociações com a entidade patronal, e que também foi ouvido pelo tribunal.

"Isso é uma acusação maquiavélica", lamentou João Decq Mota, dizendo que tanto os funcionários como ele próprio tentaram entrar no hotel, por várias ocasiões, após o dia 31 de maio de 2013, mas que "bateram sempre com o nariz na porta".

Apesar das divergências entre as duas partes, os advogados de acusação e de defesa ainda tentaram chegar a um acordo, no início do julgamento, mas sem sucesso.

O Hotel Horta, que entretanto reabriu as portas, com nova gerência, tinha, à data de encerramento, 26 trabalhadores no quadro, dez dos quais chegaram a acordo com a entidade patronal em relação aos valores de indemnização a receber.

A unidade hoteleira foi inaugurada há cerca de 15 anos e tem 80 quartos.

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