Tribunal egípcio confirma sentença de pena de morte do líder da Irmandade Muçulmana

Tribunal egípcio confirma sentença de pena de morte do líder da Irmandade Muçulmana

 

LUSA/AO Online   Internacional   11 de Abr de 2015, 15:15

Um tribunal egípcio confirmou hoje as sentenças de pena de morte pronunciadas contra o líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badiem, e onze outras pessoas acusadas de terem tentado desestabilizar e planear ataques contra o Estado.

Dois outros islamitas também foram condenados à morte por recusa de comparecer em tribunal, enquanto 23 pessoas foram condenadas a prisão perpétua, incluindo um jovem cidadão egípcio-americano, Mohamed Soltan, detido desde agosto de 2013 e que está atualmente em greve de fome. As sentenças, anunciadas em 16 de março, foram pronunciadas por diversos tribunais. Num primeiro caso, 14 dirigentes da confraria – considerada “organização terrorista” pelas autoridades após o derrube e detenção do Presidente islamita Mohamed Morsi pelos militares em 03 de julho de 2013 – foram condenados à morte por “planificação de recurso à força contra o Estado”. As condenações à morte têm-se sucedido no Egito após a destituição de Morsi pelo então chefe de estado-maior das Forças Armadas, general Abdel Fatah Al-Sisi, entretanto eleito presidente em eleições fortemente vigiadas. Em simultâneo, a sangrenta repressão contra a Irmandade Muçulmana – expressa no massacre de 14 de agosto de 2013, quando centenas de manifestantes foram abatidos no Cairo pelas forças militares e policiais – foi-se alargando às correntes laicas que estiveram na vanguarda da revolução que em fevereiro de 2011 derrubou o líder autocrático Hosni Mubarak. Enquanto os dirigentes e membros dos islamitas, ou de outras correntes da oposição, também rivais dos islamitas, eram condenados, Mubarak tem vindo a ser ilibado nos sucessivos julgamentos a que tem comparecido. A Amnistia Internacional (AI) estima entre 16.000 e 40.000 o número de detidos, pelo menos 1.500 mortos na repressão aos protestos e um “aumento alarmante” do número de condenações à morte.

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