Sociedade

Tradição de Halloween celebrada em São Miguel

Tradição de Halloween celebrada em São Miguel

 

Francisco Cunha   Regional   31 de Out de 2011, 11:00

Halloween, Dia ou Noite das Bruxas, há já alguns anos que esta tradição de origem celta se tornou um hábito também em São Miguel.
De há uns anos para cá que se tornou usual o cor-de-laranja apoderar-se das montras na baixa de Ponta Delgada, assim como encontrar vampiros e bruxas na rua, assim como se tornou sinónimo de bailes e festas, um pouco por toda a ilha.

Os comerciantes, apesar da crise, admitem que “sempre vendem algumas fantasias”. Reflectindo a época, há acessórios a partir de um euro e trajes completos para crianças a custar doze. Rebuçados e doçuras também não podem faltar, sobre pena das afamadas travessuras.

Acessório e trajes acabam por se vender não só a crianças como também para adultos, que os usam como acessórios para os bailes. O baile do Coliseu Micaelense é o maior evento do género, sendo mesmo assumido pela direcção como um dos “eventos-âncora” da programação anual.

“Apesar de ser uma edição recente, o baile de Halloween tem tido uma adesão muito forte e apostamos forte na animação e decoração deste evento”, avançou Ricardo Pereira, director da casa de espectáculos, que revelou serem esperadas mais de mil pessoas pessoas na edição deste ano.

“Como é normal nestas coisas, a primeira vez teve menos adesão, mas temos notado um aumento de ano para ano”, explicou. “E as pessoas têm participado activamente, com fantasias por vezes muito cuidadas e tomando parte no concurso para a melhor fantasia”.

No entanto, os mais antigos estranham, e até com alguma razão, esta tradição algo carnavalesca que  surgiu, quase da noite para o dia na região, lembrando que antigamente este dia era associado ao chamado “Pão por Deus”.

 A verdade anda um pouco no meio das duas tradições, conforme explica a socióloga Piedade Lalanda, que indica que o início do  mês de Novembro coincide no calendário com um tempo de invocação dos mortos e que divide o ano em duas metades: uma correspondem ao crescimento e colheita, a outra ao semear e cuidar das plantas, o período de Inverno.

“Os mortos, na perspectiva tradicional protegem os vivos, mas isso implica que estes lhe manifestem consideração através de alguns rituais, como acontece em Novembro”, denota.

O Dia de Todos os Santos é uma tradição nos países latinos, sendo um exemplo de invocação das almas o ritual do Pão por Deus. Em muitas comunidades as crianças saem à rua com uma saquinha de pano, para pedir o pão por Deus, havendo mesmo em algumas comunidades um pão específico para este dia.

Uma tradição muito forte em São Miguel é a tradição de comer o milho cozido, conhecido por “milho dos mortos” ou “das alminhas”, outro exemplo do sentido atribuido a esta festa, acompanhado pela visita aos cemitérios para decorar as campas com flores.

“Em certa medida, os países latinos cristianizaram com esta prática, a tradição das bruxas, mais antiga e de origem celta. Nesse quadro cultural, a invocação dos mortos surge associada às imagens das velhas de chapéu preto, esqueletos ambulantes e as carcaças feitas em abóboras, iluminadas com velas”, sublinha Piedade Lalanda,

A introdução da prática do Halloween, ainda em muitos lugares coexistindo com a recolha do “pão por Deus”, deve-se a iniciativas de professores de inglês, que desta forma pretendiam que os alunos conhecessem melhor a cultura anglo-saxónica, da qual se inclui a tradição das bruxas.

“Com o impacto da globalização, esta prática suportada por um comércio de objectos e fantasias, aos poucos tem vindo a abafar a tradição do pão por Deus, que muitas crianças porventura desconhecem, levadas pelo aspecto carnavalesco do Halloween e, entusiasmadas pela ideia de que se não receberem uma “doçura”, poderão fazer uma “travessura”, conclui a socióloga.

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