Trabalhos de limpeza deverão ficar concluídos hoje na Madalena


 

Lusa/AOOnline   Regional   1 de Mar de 2017, 12:00

O presidente da Câmara da Madalena, na ilha do Pico, disse hoje que os trabalhos de limpeza na sequência dos danos provocados na segunda-feira pela forte ondulação deverão ficar concluídos hoje, prosseguindo o levantamento dos prejuízos.

 

“Durante o dia de hoje pensamos que, pelo menos, as vias ficarão todas disponíveis para circulação”, afirmou à agência Lusa José António Soares, acreditando que a situação “vai começar a voltar à normalidade”.

Na segunda-feira, ondas de 13 metros atingiram a orla costeira da Madalena, provocando danos em várias estruturas, como o molhe de proteção do porto, o museu onde está a exposição de lulas de Malcolm Clarke, o rés-do-chão do premiado Cella Bar e espaços de apoio à pesca.

José António Soares adiantou que aquele bar, galardoado pela plataforma digital ‘Archdaily’ com o Prémio Edifício do Ano 2016, deverá reabrir parcialmente na quinta-feira, enquanto no espaço museológico decorre o levantamento do acervo passível de recuperar.

“Ainda hoje, durante todo o dia, vamos verificar essa situação, fazer o levantamento de tudo o que existe e de tudo o que estará ainda em condições e, a partir daí, encontrar uma solução”, declarou, adiantando que o Observatório do Mar dos Açores já se disponibilizou a colaborar.

O presidente da câmara esclareceu que, neste momento, “é uma questão de avaliação” para aferir, “do ponto de vista científico e técnico”, de que forma se pode fazer o aproveitamento do que foi poupado à destruição.

Questionado sobre o valor dos danos, o presidente da Câmara da Madalena explicou que ainda não está feita a contabilização, mas disse esperar a colaboração do Governo Regional nesta matéria.

“Espero que o Governo [Regional] possa realmente também colaborar com algumas questões”, declarou, exemplificando com o arranjo das vias públicas.

O autarca adiantou que esteve na terça-feira com o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, que se deslocou ao Pico, mas não com o titular das Obras Públicas, Vítor Fraga, que reuniu na ilha para avaliar a situação no porto da Madalena.

Já o presidente da Associação de Armadores de Pesca Artesanal do Pico, José António Fernandes, adiantou que os prejuízos no setor das pescas ainda estão por quantificar, mas são danos avultados.

"Há prejuízos em todas as casas de aprestos da Madalena do Pico”, referiu, acrescentando que nenhuma arca frigorífica escapou e que o escritório e as lojas de venda de equipamentos da associação também foram destruídos pela força do mar.

O dirigente associativo adiantou ainda que já se iniciaram os trabalhos de limpeza, mas garantiu que os pescadores "não estão impedidos de ir para o mar".

"Nunca aconteceu com esta dimensão", frisou, acrescentando que a associação vai solicitar apoio à tutela face aos prejuízos, notando que muitos pescadores querem fazer seguros das suas casas de aprestos, onde guardam os equipamentos, mas "nenhuma seguradora aceita".

O Museu dos Cachalotes e das Lulas, o primeiro museu municipal da Madalena, foi inaugurado em 2014 e inclui o espólio de Malcolm Clarke, adquirido pela autarquia.

Malcolm Clarke, perito de renome internacional em cefalópodes e cetáceos e colaborador da Universidade dos Açores, trabalhou 58 anos em oceanografia biológica, fisiologia e ecologia de animais marinhos, sendo autor, coautor e editor de mais de 150 artigos e livros científicos.

Nascido em Birmingham em 1930, no Reino Unido, o investigador inglês escolheu os Açores, especificamente a ilha do Pico, onde comprou uma casa, para viver, tendo falecido em maio de 2013.

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