Trabalhadores do Montepio com salários congelados até fim de 2017


 

Lusa/AO Online   Economia   29 de Dez de 2016, 05:38

Os trabalhadores da Caixa Económica Montepio Geral ficarão com os salários congelados até final de 2017, no âmbito do acordo feito com os sindicatos em que o banco se compromete a não fazer despedimentos coletivos durante esse período.

Estas informações foram avançadas à Lusa pelo presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI), Rui Riso, que acrescentou que hoje mesmo o acordo com o Montepio foi aprovado no Conselho Geral da FEBASE (Federação do Setor Financeiro, ligada à UGT) pelo Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas e pelo Sindicato dos Bancários do Centro.

Já o Sindicato dos Bancários do Norte deverá dar 'luz verde' ao acordo laboral esta quinta-feira.

“Não vai ser atribuído o aumento salarial que decorre do setor bancário, mas em janeiro de 2018 [o aumento salarial dos trabalhadores do Montepio] fica em linha com o setor”, afirmou Rui Riso, adiantando que, em contrapartida, o banco se comprometeu a não fazer “despedimentos coletivos em 2016 e 2017”.

“A nossa postura foi a de defender os postos de trabalho”, vincou o dirigente sindical.

Já o presidente do Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários (SNQTB) partilhou na página da Internet do sindicato uma mensagem em vídeo a dar conta das conclusões do acordo com a Caixa Económica Montepio Geral.

“Conseguimos que o congelamento salarial seja só de dois anos, que o banco não faça um despedimento coletivo, que faça um estudo que vise a equidade salarial, criando uma tabela comum a todas as empresas, e que haja distribuição extraordinária dos resultados pelos trabalhadores se estes forem positivos”, afirmou Paulo Marcos.

O Montepio tem estado nos últimos meses em negociações com os sindicatos sobre o novo Acordo Coletivo de Trabalho do banco, depois de não ter subscrito este ano a revisão do Acordo Coletivo do Setor Bancário, assinado pelos principais bancos que operam em Portugal.

Segundo o presidente do SNQTB, as negociações começaram “de forma inquinada”, já que na mesma altura em que foi iniciado o processo negocial foi conhecido que o Montepio retirou o subsídio de isenção a mais de 400 trabalhadores, que queria fazer cortes salariais, e que pediu ainda o estatuto de empresa em reestruturação para poder “rescindir com ou despedir 200 pessoas”.

Assim, tendo em conta os termos do acordo conseguido entre o Montepio e os sindicatos, Paulo Marcos considerou que um processo de negociação que “começou mal” irá “acabar bem”.

Já Rui Riso, do SBSI, o sindicato mais representativo dos bancários, destacou ainda que este acordo coloca na lei da contratação coletiva benesses laborais que até agora estavam apenas inscritas no normativo interno do Montepio, o que é positivo para os trabalhadores.

Sobre as alterações à idade da reforma, ambos os dirigentes sindicais deram a indicação de que os funcionários do Montepio passarão a seguir as mesmas regras dos restantes trabalhadores que descontam para a Segurança Social.

A Caixa Económica Montepio Geral é a principal empresa do Grupo Montepio, tendo apresentado até setembro um prejuízo de 67,5 milhões de euros, um resultado que compara com perdas de 59,5 milhões de euros em igual período de 2015.

O banco está num processo de reorganização e redução de custos, podendo sair mais trabalhadores nos próximos meses através de rescisão por mútuo acordo.

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