Trabalhadores da Sinaga lamentam situação da açucareira apesar de esforço feito

Trabalhadores da Sinaga lamentam situação da açucareira apesar de esforço feito

 

LUSA/AO online   Economia   2 de Nov de 2016, 17:53

Os trabalhadores da Sinaga, a única fábrica de açúcar nos Açores, lamentaram hoje que, apesar do esforço feito, os resultados da empresa tenham piorado, exigindo ao Governo Regional coragem para tomar uma decisão e resolver o assunto

"Apesar do enorme esforço que tem sido feito pelos trabalhadores, a situação da Sinaga tem piorado”, afirmou o dirigente da intersindical CGTP/Açores, Vitor Silva, após uma reunião com o presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, acrescentando que “para os trabalhadores, neste momento, a Sinaga é uma empresa viável”.

Em julho, após um plenário sindical, Vítor Silva adiantou que os trabalhadores da Sinaga estavam a sofrer cortes no pagamento das horas extraordinárias semelhantes aos da função pública, mas noutras matérias como os dias de férias ou o número de horas de trabalho por semana são aplicadas as regras do setor privado.

A empresa, adquirida pelo Governo Regional há seis anos, tem um passivo de 22 milhões de euros e os ativos são da ordem dos 20 milhões de euros.

Um plano apresentado à administração da Sinaga, em abril, indicava que a fábrica necessitava de uma injeção de três milhões de euros, para resolver problemas de tesouraria, que poderiam gerar prejuízos de 16 milhões de euros nos próximos três anos.

Hoje, Vitor Silva referiu que os 72 trabalhadores efetivos da Sinaga vivem uma “situação extremamente complicada, do ponto de vista da insegurança, porque não sabem o que vai acontecer ao seu posto de trabalho amanhã”.

O dirigente da CGTP criticou ainda a facto de a Sinaga ter “tido um número excessivo de administradores nos últimos tempos”, apesar dos resultados serem “péssimos”, algo que precisa ser “corrigido”, pois “para estar na atual situação não era necessário tantos administradores, tanta gente paga a peso de ouro”.

Para o presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, é necessário um ponto final nesta situação de “ansiedade extrema” para os trabalhadores, que “estão neste processo há mais de oito anos e já não há boa antecipação do que vai ser o futuro”.

“A resolução [da Sinaga] é sempre uma hipótese que deve estar em cima da mesa, porque as pessoas precisam continuar a sua vida. A administração no plano estratégico também não exclui essa hipótese”, disse Mário Fortuna, acrescentando que nesta eventualidade, que não acredita que seja seguida, os trabalhadores teriam de sair com “todas as cautelas e proteção que a lei exige”.

Questionado sobre a possibilidade de construção de uma nova fábrica, Mário Fortuna considerou que primeiro é necessário definir um conjunto de variáveis para resolver este caso e não aprofundar o problema, nomeadamente saber se a fábrica é para laborar beterraba, melaço ou ter uma nova linha de empacotamento.

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