Trabalhadores da Base das Lajes querem negociação com os EUA antes de um plano de mitigação


 

Lusa/AO Online   Regional   29 de Out de 2014, 16:30

O presidente da Comissão Representativa dos Trabalhadores Portugueses da Base das Lajes (CRT), João Ormonde, considerou hoje que antes dos planos de mitigação é preciso evitar a redução da presença norte-americana nas Lajes.

"É admissível que se trabalhe num plano B, mas o plano B não tem prioridade", frisou, em declarações à agência Lusa, alegando que ainda "é possível por todos os meios demover os norte-americanos" e evitar a sua redução na Base das Lajes, situada na ilha Terceira, Açores.

João Ormonde falava à Lusa um dia depois da comissão de trabalhadores se ter reunido com o primeiro-ministro e com o presidente do Governo Regional dos Açores, no âmbito de uma visita de Passos Coelho aos Açores.

Segundo o representante da CRT, o primeiro-ministro "não trouxe qualquer notícia diferente daquilo que é público", mas a reunião foi "de grande utilidade" para todas as partes.

Pela leitura que fez das declarações do primeiro-ministro à comunicação social durante a sua visita aos Açores, João Ormonde encontrou apenas preocupações com a criação de um plano de mitigação e não com o combate à redução da presença militar norte-americana nas Lajes.

"Não obstante a necessidade de ter um plano B, importa que o primeiro-ministro se concentre na luta contra esse plano de redução", frisou.

Apesar de Passos Coelho ter dito aos trabalhadores que o Governo "mantém os esforços diplomáticos" no sentido de reverter o processo de redução, João Ormonde alertou o primeiro-ministro para a "violação do acordo bilateral" que os norte-americanos fizeram ao reduzirem o tempo de permanência dos militares nas Lajes e ao proibirem a deslocação das famílias.

"Estão quebrados os pilares do acordo de cooperação", frisou, alegando que, à margem das negociações diplomáticas, "os militares já se adiantaram e criaram uma situação muito complicada".

O representante da comissão de trabalhadores salientou que essas alterações na deslocação de militares para a Base das Lajes "já criaram situações de prejuízo", defendendo que devem "ser executadas de imediato medidas políticas" para mitigar os efeitos já sentidos.

Ainda assim, sublinhou que "o Governo não pode cruzar os braços", tendo em conta que a redução do tempo de permanência dos militares e a proibição de deslocação das famílias para a Base das Lajes foram medidas tomadas por "decisão unilateral" dos norte-americanos.

Os Estados Unidos da América anunciaram a intenção de reduzir no ano passado o contingente que têm nas Lajes, em mais de 400 militares e 500 familiares, mas a decisão tem sido adiada devido a várias iniciativas legislativas.

 



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