Trabalhadores da Açoreana preocupados por venda não garantir empregos

Trabalhadores da Açoreana preocupados por venda não garantir empregos

 

Lusa/AO Online   Economia   8 de Fev de 2016, 16:45

Os trabalhadores da Açoreana estão preocupados com os seus postos de trabalho caso avance a venda à Apollo, que já detém a Tranquilidade, uma vez que as informações que têm indicam que o negócio não protege os 700 empregos.

 

Em declarações à Lusa, a dirigente sindical Ana Rita Páscoa, que pertence Também à Comissão de Trabalhadores da Açoreana, disse que os funcionários da companhia de seguros não foram envolvidos no processo de venda, nomeadamente quanto às condições em cima do negócio, o que diz ser “contrário ao que a legislação obriga”.

Ainda assim, afirmou que os trabalhadores foram conseguindo recolher informações, nomeadamente através de reuniões no Ministério das Finanças e com os grupos com assento parlamentar, à exceção do PS, pelo que sabem que das propostas que estavam em cima da mesa para comprar da Açoreana “nenhuma incluía a salvaguarda dos postos de trabalho”.

Ou seja, do que é do conhecimento dos trabalhadores, a proposta da Apollo também será omissa nesse ponto, o que poderá abrir a porta a futuras saídas.

“A nossa preocupação maior é que se a Apollo pretende fazer a fusão da Açoreana na Tranquilidade diga que não precisa dos 700 trabalhadores da Açoreana. A Tranquilidade tem 600 [empregados] e uma carteira maior”, afirmou Ana Rita Páscoa à Lusa.

A dirigente do SINAPSA – Sindicato Nacional dos Profissionais dos Seguros e Afins lembrou que, a 29 de janeiro, o ministro das Finanças, Mário Centeno, disse no parlamento que “a proposta que está a ser negociada não tem prevista nenhuma perda de emprego", mas garantiu que essa declaração não deixou os trabalhadores descansados e que “esperam agora por um desfecho do negócio” para conhecer por fim “as condições” de um negócio que os afeta diretamente.

Com a resolução do Banif, em dezembro do ano passado, o Estado ficou com a parte da seguradora que era do banco, 47,7%, que está agora integrada na sociedade pública Oitante, que ficou com ativos do Banif.

O restante capital, 52,3%, é da Soil SGPS, sociedade dos herdeiros de Horácio Roque, que foi o fundador do Banif em 1988.

A resolução do Banif terá aberto um ‘buraco’ nas contas da Açoreana, que era acionista do banco, uma vez que a empresa tinha investido cerca de 70 milhões de euros em ações, que estavam contabilizadas no balanço em 40 milhões de euros. Uma vez que todos os acionistas do Banif ficaram na entidade que vai para liquidação, que mantém o nome 'Banif', esse valor é provável que seja dado como perdido, devendo ser recuperável uma parte pequena.

Quanto à empresa que poderá comprar a Açoreana, a norte-americana Apollo é uma das maiores gestoras de fundos de investimento a nível mundial e, em Portugal, tem adquirido sobretudo participações decorrentes de resgates bancários.

A empresa já comprou em Portugal a Tranquilidade, seguradora do grupo BES, e concorreu ainda ao processo de venda do Novo Banco, que foi suspenso em setembro passado e está agora a ser retomado, tendo apresentado também uma proposta pelo Banif antes da sua resolução.



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