Trabalhadores consideram que acordo da bilateral é positivo "dentro da desgraça"


 

Lusa/AO Online   Regional   17 de Jun de 2015, 19:21

A Comissão Representativa dos Trabalhadores portugueses das Lajes (CRT) considerou hoje que a decisão relativa aos despedimentos na base tomada na Comissão Bilateral Portugal/EUA "é positiva", apesar de não se ter evitado o encerramento de postos de trabalho.

"É a solução possível dentro da desgraça que é", salientou João Ormonde, membro da CRT, depois de ter sido acordado na terça-feira, numa reunião extraordinária da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América (EUA), em Washington, que seria dada possibilidade aos trabalhadores de rescindirem por mútuo acordo, com direito a indemnização.

Os norte-americanos aumentaram ainda o número de vagas para trabalhadores civis portugueses a manter na base das Lajes em 27, passando de 378 para 405 postos de trabalho, mas também aceitaram possibilitar a rescisão por mútuo acordo, com direito a indemnização, a todos os funcionários, sem considerar alguns como "imprescindíveis".

Atualmente, existem cerca de 800 trabalhadores portugueses na base, mas o resultado de um inquérito realizado pelos norte-americanos sobre a intenção de rescisão por mútuo acordo indicava que 412 funcionários estariam dispostos a cessar o contrato de forma voluntária e 125 estariam indecisos.

Segundo João Ormonde, é preciso, no entanto, confirmar se esse número se mantém, no inquérito oficial, já que esse primeiro questionário não era vinculativo.

Se o número se mantiver, será possível evitar despedimentos forçados, mas o membro da CRT lembrou que serão encerradas "centenas de postos de trabalho".

Ainda assim, João Ormonde considerou que o resultado final das negociações, a que a CRT ainda não teve acesso formalmente, é "animador", tendo em conta que foi tida em consideração uma das principais reivindicações dos trabalhadores, nomeadamente a prioridade à saída de trabalhadores que desejam fazê-lo, através de rescisões por mútuo acordo.

O aumento do número de vagas para trabalhadores portugueses foi encarado como "positivo" por parte do membro da CRT.

"Era razoável esperar que houvesse alguma cedência dos norte-americanos face às posições do Governo português e da própria posição da Comissão Representativa dos Trabalhadores sobre esta matéria", salientou.

Segundo João Ormonde, os trabalhadores já não mantêm, no entanto, esperança de que, no futuro, as vagas agora extintas voltem a abrir, mesmo que a Base das Lajes ganhe novas utilizações, por exemplo, com a aprovação de uma proposta do congressista Devin Nunes, para a transferência de serviços ligados à gestão da informação.

 



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.