Toxicodependentes que recaíram com a crise vão precisar de cuidados continuados


 

AO/Lusa   Nacional   12 de Mar de 2017, 14:34

As autoridades estão a analisar a integração nos cuidados continuados de toxicodependentes recuperados que recaíram nos consumos, sobretudo devido à crise, para os ajudar a envelhecer com dignidade.

 

“Estamos a falar de pessoas de 50 e 60 anos”, disse em entrevista à agência Lusa o diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), referindo-se a uma população de toxicodependentes envelhecidos e que vai precisar de cuidados continuados.

Houve recentemente um ressurgimento de uma realidade que os especialistas julgavam extinta, com a recaída por parte de antigos consumidores que, com o período de crise económica e o aumento do desemprego, viram as suas vidas a desmoronar.

Regressaram então aos consumos em contextos de desorganização, à semelhança dos tempos do Casal Ventoso nas décadas de 80 e 90 do século passado.

“A realidade do nosso imaginário do Casal Ventoso e de outros casais ventosos deste país está agora a deflagrar de novo, muito à custa desta população mais velha que não aceita a aproximação pelas equipas de rua, por acharem que já falharam uma vez”, tendo em conta que voltaram ao consumo, afirmou o diretor-geral do SICAD.

O especialista lembra que uma das caraterísticas da adição é a fraca resiliência perante a frustração, procurando o alívio do sofrimento com o uso de substâncias.

Foi o desemprego, sobretudo, com o consequente desmoronamento de vidas, o motor para as recaídas, numa população que tinha anteriormente conseguido sobreviver e ter empregos graças à intervenção dos serviços.

Para João Goulão, o grande desafio agora é acompanhar as pessoas que recaíram “prestando cuidados de saúde, ajudando-as a envelhecer”.

A resposta deve passar pela possibilidade de permitir o acesso destes toxicodependentes aos cuidados continuados, para que seja assegurada a prestação de cuidados de saúde, quer físicos, quer mentais.

Segundo João Goulão, no Ministério da Saúde há abertura para se discutir o assunto e encontrar formas de operacionalizar esta pretensão.


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