Theresa May, sucessora de David Cameron e candidata do consenso entre os conservadores

Theresa May, sucessora de David Cameron e candidata do consenso entre os conservadores

 

LUSA/AO online   Internacional   11 de Jul de 2016, 16:52

A ministra do Interior Theresa May, que na quarta-feira substitui David Cameron na chefia do governo britânico, tornou-se na candidata consensual para ultrapassar a guerra interna no Partido Conservador na sequência da campanha do 'Brexit'

"Durante a campanha do 'Brexit' [o referendo de 23 de junho que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia] optou por um baixo perfil e assim pôde beneficiar de um apoio mais amplo no Partido conservador”, considerou David Cutts, professor de Ciência política na universidade de Bath, em declarações à agência noticiosa France-Presse (AFP).

Apesar de eurocética, no início de 2016 e para surpresa geral decidiu permanecer fiel ao primeiro-ministro David Cameron e defender a permanência na UE.

O facto de permanecer à margem do conflito interno que assolou os 'Tories' durante a campanha do referendo, May acabou por encarnar a solução para substituir Boris Johnson, o ex-presidente da câmara de Londres e líder da campanha pela saída da UE, que no final de junho renunciou à corrida à liderança do partido.

No entanto, a futura primeira-ministra optou pelo “serviço mínimo”, defendendo inclusive uma limitação da imigração, tema favorito dos pró-'Brexit'.

Uma posição de consenso assinalada pelo Sunday Times, que a apresentou como “a única figura capaz de unir as fações rivais do partido” Conservador.

Na quinta-feira, quando foi escolhida pelos deputados conservadores como uma das duas finalistas à sucessão de Cameron – face à secretária de Estado da Energia, Andrea Leadsom –, considerou ser a candidata capaz de enfrentar o desafio que aguarda o futuro primeiro-ministro britânico.

“Precisamos de uma liderança forte, com experiência para negociar o melhor acordo para o Reino Unido com a União Europeia, para unir o partido e o nosso país”, disse.

Theresa May, 59 anos, demonstrou uma política de grande firmeza no Ministério do Interior, quer face à delinquência, os imigrantes clandestinos ou aos imãs islamitas, posições que decerto lhe valeram o epíteto de “nova Margaret Thatcher”.

Filha de um padre anglicano, iniciou a sua carreira política em 1986, após estudos de geografia em Oxford e uma breve passagem pelo Banco de Inglaterra. Foi neste período que foi eleita conselheira do rico distrito londrino de Merton.

Após dois fracassos nas legislativas, foi eleita em 1997 deputada conservadora na próspera circunscrição de Maidenhead em Berkshire (sul de Inglaterra).

Entre 2002 e 2003 foi a primeira mulher a tornar-se secretária-geral de um partido conservador e desencadeia críticas a um partido com uma nítida evolução à direita, que originam diversas inimizades internas.

Entre 1999 e 2010 ocupa diversos cargos no gabinete-sombra dos conservadores, então na oposição. Nesse período, é responsabilizada pelo Ambiente, Família, Cultura, direitos das Mulheres e Trabalho. Em 2005 está ao lado de David Cameron na sua conquista do partido.

Após este ser eleito chefe de governo em 2010, foi recompensada ao ser-lhe atribuída o cargo de ministra do Interior, cargo que vai manter após a reeleição do primeiro-ministro em 2015.

O Daily Telegraph, que a designa como a mulher política mais poderosa do país, considera que “chegou ao topo devido a uma feroz determinação”.

Casada desde 1980 com o banqueiro John May, não tem filhos e é uma conhecida adepta da corrida, e da cozinha.

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