Terço de Joana Vasconcelos em Fátima simboliza ligação entre o céu e a terra

Terço de Joana Vasconcelos em Fátima simboliza ligação entre o céu e a terra

 

Lusa/AO Online   Nacional   3 de Mai de 2017, 08:26

A artista plástica Joana Vasconcelos apresentou hoje a sua nova obra de arte, "Suspensão", um terço de 28 metros de altura com 540 quilogramas, que irá ser inaugurada, em Fátima, no dia 12 de maio, pelo papa Francisco.

 

Referindo-se à peça, Joana Vasconcelos descreveu-a como “uma ligação de paz, esperança, amor e tolerância entre o céu e a terra”, que ficará instalada junto à basílica da Santíssima Trindade, durante um ano, até maio de 2018.

O terço “Suspensão”, quando iluminado, vai parecer fluorescente, e é constituído por contas numa matéria plástica, ligadas entre si por ganchos de metal, com uma cruz de Vitrúvio, que “é um sinal de humanismo”, disse a artista plástica à agência Lusa.

Vasconcelos referiu que o tipo de material escolhido e o sistema elétrico que tem no seu interior é uma associação “aos objetos comuns que compramos em Fátima”.

Uma peça que foi feita especificamente para “estar em harmonia com a arquitetura do local e as celebrações do centenário", integrada na cultura e nas tradições locais, segundo a artista.

“Hoje disse-se já que há pessoas que não vão levar um terço, pois já têm lá um terço para rezar”, disse.

O projeto partiu de um convite do santuário de Fátima, não sendo a primeira vez que Joana Vasconcelos se inspirou na temática de Fátima: em 2003 apresentou “Fatima Shop”, que resultou de uma viagem, acompanhando peregrinos, que realizou àquele santuário, em 2002.

A artista afirmou que a arte sempre se associou aos grandes momentos históricos “e um artista deve estar presente quando é chamado a representar o seu país”.

“A arte ao longo dos anos, nomeadamente a escultura, tem-se associado sempre às grandes ocasiões, aos momentos históricos, e é o que um artista deve fazer. Deve estar presente, representar o seu país e os momentos históricos que são vividos pelo país, e quando é chamado a fazê-lo deve representá-lo, e foi isso que eu fiz”, disse Joana Vasconcelos, na cerimónia de apresentação conjunta de “Suspensão” e do documentário “As Faces de Fátima”, que o canal televisivo História estreia no próximo dia 08.

Para a artista, “é muito importante estar associada a este momento [o centenário das ‘aparições’ em Fátima e à visita papal]; é um momento importante da cultura portuguesa e que tem uma vertente artística”.

“Estou muito orgulhosa de poder representar essa vertente artística, de poder ter tido a oportunidade de pensar o fenómeno de Fátima”, prosseguiu.

Questionada sobre se era católica e acreditava em Fátima, Joana Vasconcelos declarou: "A fé é, sem dúvida alguma, algo que está em mim, na qual acredito. A partir daí, devo dizer que muitas coisas aprendi, nomeadamente quando fiz a peregrinação, e na verdade o papel do artista é trabalhar para o seu país e para o seu povo".

O terço, disse a artista plástica, “é uma peça que simboliza todos nós acreditarmos, todos nós estarmos presentes, para que a paz seja o futuro”.

A realização da estrutura em Fátima foi acompanhada pelo canal História, "com paciência e coragem", como disse a artista plástica, justificando que "espreitar por detrás da tela são sempre processos complicados".

O canal produzirá um documentário desta operação, a emitir em data a anunciar.

O papa Francisco será o quarto papa a visitar Fátima e vai presidir ao centenário dos acontecimentos na Cova da Iria.

Os anteriores papas a estar em Fátima foram Paulo VI (1967), João Paulo II (1982, 1991, 2000) e Bento XVI (2010).

No dia 13 de maio, Francisco vai presidir à cerimónia de canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto, os mais jovens santos não mártires. A cerimónia é a primeira realizada em Portugal.

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