Temer ordena que forças de segurança desmantelem barricadas de estrada no Brasil

Temer ordena que forças de segurança desmantelem barricadas de estrada no Brasil

 

Lusa/AO online   Internacional   25 de Mai de 2018, 18:37

O Presidente brasileiro, Michel Temer, ordenou que as forças de segurança federais desmantelem as barricadas montadas por transportadoras em greve há uma semana nas estradas do Brasil, que estão a causar graves problemas de abastecimento.


Numa mensagem televisiva proferida em tom solene, o muito impopular chefe de Estado brasileiro anunciou “ter mobilizado as forças de segurança” para desimpedirem as estradas do país.

“Nós não vamos permitir que a população não tenha acesso a produtos de primeira necessidade (…), que os hospitais não tenham os medicamentos necessários para salvar vidas”, explicou Temer.

Sublinhando que o executivo “aceitou as 12 principais reivindicações das transportadoras, que se comprometeram a pôr fim às barricadas imediatamente”, o Presidente referiu que “infelizmente, uma minoria radical continuou a bloquear as estradas”.

“O Governo teve a coragem de dialogar, o Governo terá a coragem de exercer a sua autoridade”, afirmou Temer, recordando que os dirigentes sindicais assinaram na véspera um acordo para uma trégua de 15 dias, após sete horas de negociações.

Pouco antes, a câmara municipal de São Paulo, capital económica do país, decretou o estado de emergência, uma medida extrema.

“Esta medida permite ao município confiscar ou apreender bens privados, como por exemplo combustível que esteja armazenado numa estação de serviço”, indicou a autarquia em comunicado.

No quinto dia deste movimento de contestação contra o aumento do preço do combustível, muitas estradas continuaram intransitáveis devido a barricadas em todo o país, bem como impedido o acesso às refinarias, estando a maioria dos postos de abastecimento de muitas grandes cidades a seco.

A situação é igualmente crítica na capital, Brasília, com o anúncio do cancelamento dos primeiros voos, dois dos quais internacionais, esgotadas as reservas de querosene do aeroporto da cidade.

A companhia aérea norte-americana American Airlines cancelou um voo procedente de Miami que deveria ter aterrado em Brasília durante a manhã, bem como o da tarde, que partiria da capital brasileira com destino ao Estado da Florida.

O ministro-chefe da casa Civil, Eliseu Padilha, disse hoje à imprensa que era preciso “dar tempo” aos dirigentes sindicais para convencer os grevistas a desmobilizarem, mas para a Associação Brasileira de Camionistas (Abcam), sindicato que representa 700.000 motoristas de longo curso, “a ideia é manter a greve, as barricadas de estrada”.

“A Abcam não está de acordo [com a trégua], porque o Governo não manteve a promessa inicial de anular as taxas antes do fim da semana”, explicou uma porta-voz do sindicato, citada pela agência noticiosa francesa AFP.

Os graves problemas de abastecimento causados por esta greve afetaram a economia no seu conjunto, num país de grandes dimensões que praticamente não tem rede ferroviária e onde 60% do transporte de mercadorias se efetua por estrada.

As exportações do Brasil estão prestes a ser também fortemente afetadas, e a indústria automóvel está já totalmente paralisada: as fábricas já não estão a receber peças sobresselentes e não conseguem enviar os veículos produzidos para os concessionários.

Em muitas grandes cidades brasileiras, os automobilistas enfrentaram durante vários dias filas de espera enormes para encher os depósitos, mas hoje muitas bombas de abastecimento estavam desertas, por já não terem mais combustível para vender.

A televisão brasileira Globonews mostrou hoje as bancas do mercado grossista do Rio de Janeiro praticamente vazias, estando também muitos supermercados sem produtos frescos.

Esta situação caótica inflige um duro golpe à credibilidade do Governo do Presidente Michel Temer, a menos de cinco meses das presidenciais de outubro.

“Isto mostra à opinião pública e ao mercado, no Brasil e no estrangeiro, que o Governo Temer é um Governo anão, sem qualquer poder”, sustentou o analista político André César, do gabinete de consultores Hold.

Se o movimento de contestação se prolongar, corre-se o risco de consequências económicas catastróficas para um país que teve dificuldade em reerguer-se após a histórica recessão de 2015-2016”.

Os preços do combustível sofreram recentemente um forte aumento, devido ao aumento da cotação do petróleo e a uma nova política de tarifas da petrolífera brasileira Petrobras, que se alinhou desde o final de 2016 com os preços internacionais.



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