Tem havido "flexibilidade extrema" dos polícias nos Açores

Tem havido "flexibilidade extrema" dos polícias nos Açores

 

AOnline/LUSA   Regional   7 de Jun de 2015, 17:03

O comandante regional da PSP nos Açores diz que tem havido "flexibilidade extrema" por parte dos agentes policiais para cumprirem a sua missão nas ilhas, dada a falta de recursos humanos.

“É o caso de ter comandantes de esquadra a fazer atendimento ao público, que não é função deles, precisamente para manter carros de patrulha a funcionar na via pública”, afirmou José Poças Correia, em declarações à Lusa, acrescentando que se esses comandantes não quisessem assumir esse papel, o tripulante do carro patrulha teria de ficar a fazer atendimento na esquadra e não haveria carro patrulha nas estradas.

Segundo disse José Poças Correia, a PSP em Portugal conta com 23 mil elementos, sendo que nos Açores estão 850, mas seriam necessários mais 100 a 150 elementos no arquipélago, disperso por nove ilhas.

Em outubro de 2014, quando iniciou funções nos Açores, José Poças Correia anunciou um reforço de oito novos agentes, que entretanto já estão ao serviço, mas agora “a muito curto prazo” virão novos elementos do Comando de Lisboa para os Açores, sem quantificar quantos serão ao certo.

Em maio, a ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, anunciou, na ilha de S. Miguel, um reforço de meios humanos para a PSP no arquipélago, que "tem em vista as necessidades da Região Autónoma", mas que não quantificou.

José Poças Correia considerou que os Açores “não têm muitos argumentos para requerer um aumento significativo dos recursos humanos, porque os índices de violência e criminalidade são dos mais baixos do país”.

Ainda assim, reconheceu “limitações” ao nível de recursos humanos, sobretudo em S. Miguel, a maior ilha do arquipélago, onde existe um total de 14 esquadras da PSP.

Desde que entrou em funções, o Comandante Regional da PSP já visitou oito das nove ilhas, estando apenas em falta uma deslocaçã a Santa Maria.

Na próxima terça-feira, decorre em Ponta Dlegada, ilha de São Miguel, o seminário “Fatores de risco na atividade policial”, contando com a participação de vários especialistas e investigadores nesta temática.

Para o comandante regional da PSP, o seminário, além de proporcionar a análise e debate em torno dos fatores de riscos inerentes à profissão de polícia, pretende humanizar aos olhos da comunidade os agentes policiais.

“É importante que as pessoas percebam que nós somos seres humanos, mas em determinadas circunstâncias estamos sujeitos a situações de risco mais agravadas, risco físico, mas também risco de natureza psicológica”, disse, acrescentando que o seminário é aberto à comunidade e apenas os inscritos irão receber certificados de presença.

Serão abordados os temas específicos dos riscos profissionais e da vulnerabilidade à doença, fatores humanos na segurança rodoviária, memória no testemunho policial, inteligência emocional, ‘stress’, trauma e depressão em polícias.

Segundo José Poças Correia, além do ‘stress’, depressão e traumas, os agentes policiais no seu dia-a-dia podem ser confrontados com situações de risco em termos de higiene e segurança, questões de saúde, entre outras, devido ao tipo de público com quem lidam.

Um estudo pedido pela Direção Nacional da PSP em 2009, envolvendo três mil agentes de várias gerações, concluiu que a esperança média de vida dos agentes policiais é de 67,5 anos, menos 11 que a média da população.

Sem revelar números concretos, José Poças Correia confirmou a existência de casos de ‘stress’ e trauma no comando da PSP nos Açores. Deu como exemplo o caso dos agentes que intervieram, recentemente, no rapto de uma criança em S. Miguel, que devido às circunstâncias e estado em que foi encontrada a vítima, receberam assistência psicológica.

José Poças Correia também confirmou a existência de casos de depressão, alcoolismo e consumo de droga entre os polícias nos Açores, situações que estão a ser devidamente tratadas no sentido de ajudar os agentes a recuperar.


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