Teerão está pronto para discussões sobre energia nuclear

Teerão está pronto para discussões sobre energia nuclear

 

Lusa/AO Online   Internacional   20 de Ago de 2010, 07:54

O Irão está pronto para participar imediatamente em discussões com as potências ocidentais sobre uma troca de combustível nuclear, afirmou o presidente Mahmoud Ahmadinejad numa entrevista publicada hoje no Japão.

O Irão está “pronto para retomar no fim de agosto ou princípio de setembro” as discussões com o grupo do Seis (Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha, Alemanha) relativamente ao fornecimento de combustível para o seu reator de investigação médica, declarou o presidente iraniano ao diário Yomiuri Shimbun.

Ahmadinejad deixou entender que Teerão poderá suspender o seu programa controverso de enriquecimento de urânio em caso de acordo.

“Prometemos parar o enriquecimento a 20% se o fornecimento de combustível for assegurado”, disse o chefe de Estado, nesta entrevista realizada em Teerão e publicada em japonês.

“Temos o direito de enriquecer urânio. O Irão nunca provocou uma guerra, nem aspira ter bombas nucleares”, afirmou o presidente iraniano.

Quarta feira, o Guia supremo iraniano Ali Khamenei declarou que o Irão só vai negociar com os Estados Unidos a questão da energia nuclear se Washington levantar as sanções e parar com as suas “ameaças” contra Teerão.

Questionado sobre a atitude de Washington, Ahmadinejad declarou: “O povo iraniano apoia o diálogo (que) deve desenrolar-se dentro do respeito e da honestidade”.

“Infelizmente, os países ocidentais brandem sempre ameaças, tentando conservar uma vantagem nas negociações. Não é um diálogo. O objetivo de um diálogo é compreendermo-nos não ameaçarmo-nos”, indicou.

As potências ocidentais, sob a égide dos Estados Unidos, opõem-se ao enriquecimento do urânio a 20% pelo Irão, que suspeitam de procurar obter a arma atómica a coberto de um programa nuclear civil, situação que Teerão desmente.

A 17 de maio, o Irão propôs, com a ajuda do Brasil e da Turquia, a troca em território turco de 1.200 Kg do seu urânio ligeiramente enriquecido (3,5%) contra 120 Kg de combustível enriquecido a 20%, destinado ao reator de investigação médica de Teerão.

Esta iniciativa foi ignorada pelas grandes potências, que votaram novas sanções contra o Irão a 9 de junho na ONU.


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