Taxas turísticas ameaçam "galinha dos ovos de ouro" do crescimento

Taxas turísticas ameaçam "galinha dos ovos de ouro" do crescimento

 

Lusa/AO Online   Economia   11 de Nov de 2014, 12:35

O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, alertou hoje que criar taxas turísticas, conforme anunciado pelo presidente da Câmara de Lisboa, é arriscar matar a atual "galinha dos ovos de ouro" do crescimento da economia, que é o setor do turismo.

“Tenho ouvido por aí um debate sobre taxas turísticas em Portugal. Eu respeito a autonomia do poder local, mas, como tenho responsabilidades na área da coordenação das políticas económicas, acho que devo deixar um alerta: Não matem a galinha dos ovos de ouro fazendo, ao mesmo tempo, taxas para dormir, taxas para aterrar e taxas para desembarcar”, afirmou Paulo Portas na intervenção de encerramento da conferência “Empresas na Caixa”, promovida no Porto pela Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Segundo salientou, “o turismo é o setor com melhor comportamento na economia portuguesa neste momento” e “as empresas turísticas estão, finalmente, a levantar a cabeça e a ajudar no emprego”.

“O turismo tem 40% de dormidas de nacionais, não é apenas para os estrangeiros”, disse Portas, sublinhando que o setor “hoje tem conceitos – como o ‘low cost’ e os ‘hostels’ - onde o preço é muito relevante”.

Em causa está o anúncio, na segunda-feira, do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, que será cobrada uma taxa de um euro pela chegada de turistas ao aeroporto e ao porto em 2015 e, a partir de 2016, uma taxa do mesmo valor por dormida.

Dias antes, o ministro da Economia, Pires de Lima, desafiou o presidente da Câmara de Lisboa e candidato a primeiro-ministro a "resistir à tentação" de criar uma taxa de dormida para turistas em Lisboa.

Desde o anúncio de António Costa, foram várias as reações negativas, em particular de entidades do setor como a Confederação do Turismo Português (CTP) e a Associação da Hotelaria de Portugal.

No caso da CTP, esta considera que "se mantêm válidos os argumentos já anteriormente invocados por si e pelos agentes privados do sector do turismo, quando outros municípios ainda que, com outra fundamentação, pretenderam igualmente criar uma taxa municipal sobre o alojamento turístico".

Considerando que Portugal tem a nível turístico “um ‘mix’ lusitano que é extraordinariamente competitivo e que vale ouro em termos económicos”, Paulo Portas antecipou que, depois do ano recorde de 2013, “já não há dúvida nenhuma” que 2014 será “um ano turístico melhor do que o melhor ano de sempre”.

“Muito provavelmente atingiremos, em 2014, os 15 milhões de turistas e superaremos os 10 mil milhões de euros de receitas do turismo. São números impressionantes, sobretudo se fizermos as contas ao primeiro semestre de 2014, [em que] estamos 10% acima do ano passado em dormidas e 11% acima em rentabilidade dos hotéis e das unidades turísticas”, sustentou.

Salientando que este “crescimento exponencial do setor do turismo” tem permitido compensar o “relativo abrandamento da exportação de bens” e assim deixado “mais sossegadas as consciências porque a taxa de cobertura equilibrando bens e serviços está bem”, Paulo Portas remeteu para as “estatísticas das exportações que contam com o turismo”, a divulgar dentro de “uns dias”, mas assegurou que Portugal não se pode “queixar nessa matéria”.

“Portugal está na moda, as cidades portuguesas estão na moda, basta ler as revistas de turismo e de viagens por esse mundo fora”, afirmou.



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