Taxa de natalidade deve descer 20% este ano e percentagem de prematuros mantém-se

Taxa de natalidade deve descer 20% este ano e percentagem de prematuros mantém-se

 

Lusa/AO online   Nacional   13 de Nov de 2012, 06:54

A taxa de natalidade deverá diminuir este ano cerca de 20%, mas a percentagem de prematuros em Portugal mantêm-se com um em cada dez bebés a nascer antes do tempo, alertou uma diretora da Maternidade Alfredo da Costa.

De acordo com a diretora de pediatria da Maternidade Alfredo da Costa, Teresa Tomé, este ano deverá registar-se “a maior descida da taxa de natalidade dos últimos anos”: “prevê-se uma redução de 20%, o que é imenso, mas os bebés com problemas e as situações de risco mantêm-se”.

No ano passado, cerca de 9,7% dos bebés nasceram antes do tempo, contou à Lusa Teresa Tomé, nas vésperas do Dia Mundial da Prematuridade, que se celebra a 17 de novembro.

Em Portugal, nove em cada 100 bebés nascem com menos de 37 semanas de gestação e um por cento dos recém-nascidos tem menos de 1.500 gramas. Estas crianças podem ter problemas respiratórios, cardíacos ou oftalmológicos, que exigem apoios especializados. Alguns não conseguem sobreviver.

“Esperemos que os cortes na saúde não prejudiquem os resultados que temos tido nesta área desde a década de 80, com uma redução muito grande da mortalidade infantil e bons resultados a nível de sequelas e sobrevivência”, alertou Paula Guerra, da direção da XXS - Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro, que está a organizar uma campanha de recolha de gorros e botinhas de lã para prematuros.

Portugal é um dos três melhores países europeus na área de neonatologia, juntamente com a Suécia e a Inglaterra. No entanto, as duas responsáveis temem que, a longo prazo, a crise e os cortes na saúde alterem a situação de destaque do país.

Teresa Tomé já sente os efeitos das dificuldades financeiras das famílias no acesso aos serviços de saúde: "As pessoas telefonam com muita frequência para o hospital a dizer que faltaram à consulta porque não têm dinheiro para os transportes”.

A diretora da maternidade lisboeta lembra ainda que, para muitos, as taxas moderadoras são "pesadas e limitam o acesso".

A responsável da associação XXS também se mostra “bastante preocupada” com os cortes na saúde, garantindo estar “alerta”.

“Até este momento não recebemos quaisquer sinais de os cortes estarem a afetar as áreas de neonatologia mas estamos alerta. Estamos a contactar alguns hospitais para perceber se os cortes estão a influenciar nos resultados nesta área. Queremos, juntamente com os profissionais de saúde, ser alertadas rapidamente caso haja algum risco associado a estes cortes”, disse.

A XXS juntamente com a Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria está a desenvolver uma iniciativa para o Dia Mundial da Prematuridade: entre 15 e 17 de novembro vai realizar uma campanha de recolha de gorros e botinhas de lã para bebés prematuros feitos à mão pelos dadores.

Paula Guerra explica que ao tricotar gorros e botas de tamanhos tão reduzidos, os portugueses passam a ter uma noção mais concreta da fragilidade dos bebés prematuros.

“Pequeno no tamanho, Grande no coração” é mote da campanha que decorrerá em três centros comerciais (Fórum Sintra, Fórum Almada e Coimbra Shopping). As peças de lã serão depois entregues às Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais de todo o País.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.