Suspensão de pesca do goraz visa aumentar rendimento dos pescadores

Suspensão de pesca do goraz visa aumentar rendimento dos pescadores

 

Lusa/AO Online   Regional   15 de Jul de 2015, 14:11

O secretário regional que tutela as pescas nos Açores destacou que a interdição de pesca do goraz no arquipélago até final do mês visa a "gestão inteligente" da quota da região para garantir maior rendimento aos pescadores.

 

Fausto Brito e Abreu sublinhou que ao ritmo a que os pescadores açorianos estão a pescar goraz, a quota a que têm direito vai esgotar-se antes do final do ano e que, portanto, terão de parar de capturar esta espécie mais cedo ou mais tarde.

Com a interdição da pesca do goraz na última quinzena deste mês, que entrou hoje em vigor, "a diferença", segundo Brito e Abreu, é que a quota será esgotada mais tarde, numa altura do ano em que o valor comercial deste pescado será mais alto e, portanto, numa época em que a sua venda se traduzirá em maior receita e rendimento para os pescadores.

O secretário regional vincou ainda que a suspensão não tem a ver com razões "biológicas", ou seja, com os 'stocks' disponíveis de goraz no mar dos Açores, mas com a gestão da quota, que este ano teve um corte de 25% e em 2016 voltará a ter uma redução de igual dimensão.

Fausto Brito e Abreu lembrou que os Açores discordaram da dimensão do corte na quota, tendo apresentado em Bruxelas "dados científicos" relativos aos 'stocks' desta espécie que afastavam a necessidade de um corte tão grande.

Para o secretário regional, a suspensão da pesca durante 15 dias é a melhor forma de lidar com as consequências do corte da quota do goraz.

Segundo disse, o executivo açoriano não concorda com a ideia de usar fundos europeus da pesca, destinados à modernização das embarcações ou infraestruturas portuárias, por exemplo, para acionar “subsídios diretos” aos pescadores, que estão previstos para os compensar por "problemas ecológicos" que a região não tem e que tem refutado junto das autoridades europeias.

O governante açoriano destacou, por outro lado, que a interdição de apanha do goraz não se traduz na suspensão de toda a pesca, lembrando que, todos os anos, são preenchidas quotas de determinadas espécies e os pescadores continuam a trabalhar, evitando alguns peixes e direcionando as suas artes para as espécies que podem apanhar.

Fausto Brito e Abreu falava à Lusa a propósito de declarações do presidente da Cooperativa Porto de Abrigo, Liberato Fernandes, que revelou que uma "delegação de armadores/pescadores" da ilha de São Miguel vai entregar hoje ao Governo Regional dos Açores um documento a pedir a "imediata aplicação do apoio à paralisação temporária da atividade da pesca que tem vigorado no continente" por causa da suspensão da captura do goraz.

"O que não tem sentido é que um setor que registou quebras de rendimentos enormes, quando é obrigado a parar por razões biológicas, não tenha qualquer apoio", insistiu Liberato Fernandes.

O presidente da cooperativa disse ainda que a suspensão temporária da pesca do goraz devia incidir apenas sobre os pescadores das ilhas que já excederam a quota, como é o caso de Santa Maria, Graciosa, Pico e Flores.

Sobre esta questão, o secretário regional, que vai receber a direção da Porto de Abrigo na sexta-feira, disse concordar com a divisão da quota destinada aos Açores por ilhas, estabelecendo uma quota para cada uma delas.

Fausto Brito e Abreu revelou que enviou essa proposta às associações da região em janeiro e quase nenhuma respondeu. Mais tarde, em abril, levou-a ao Conselho Regional das Pescas, tendo a direção da Federação das Pescas dos Açores ficado de apresentar uma "proposta concreta" nesse sentido que ainda não chegou ao executivo regional, não existindo, por isso, neste momento, quotas por ilha.

A Federação das Pescas dos Açores já disse concordar com a suspensão da pesca do goraz durantes a última quinzena de julho, uma vez que já foi atingida quase 70% da quota para este ano.



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