STAL considera que o Fundo de Apoio Municipal visa reduzir trabalhadores


 

Lusa/AO Online   Economia   27 de Ago de 2014, 12:53

O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), Francisco Braz, considerou que a criação do novo Fundo de Apoio Municipal (FAM) visa "continuar a empurrar trabalhadores para fora da administração pública" e local.

 

“O objetivo deste Governo é mais despedimentos, obrigar à venda de património municipal, à privatização, à destruição do país em favor sempre dos mesmos, da corrupção e da acumulação financeira”, acusou o dirigente do STAL, antes de uma reunião com o secretário de Estado da Administração Pública.

A lei que cria o FAM, que entrou em vigor na terça-feira, prevê 650 milhões de euros do Estado e de todos os municípios, para a recuperação financeira das autarquias mais endividadas, mas impõe um programa de ajustamento municipal, que implica a redução da despesa e o aumento das receitas.

O Governo estima que, no universo de 308 municípios, 19 sejam obrigados a aderir ao FAM e que para outros 23 o recurso seja facultativo, mas para ambas as situações está determinado a redução de pessoal e o aumento para a taxa máxima de impostos municipais.

No caso das rescisões amigáveis previstas no FAM, o dirigente do STAL considerou que visam “a continuação de empurrar trabalhadores para fora da administração pública”.

Para Francisco Braz, o problema da administração pública e local não passa pelos trabalhadores mas pela política do Governo: “Vai descontando, vai encurtando o salário e vai ameaçando com despedimentos sem ser amigáveis, e há gente que face ao desespero não vê outro caminho”.

O dirigente do STAL classificou as medidas previstas no FAM como “uma chantagem sobre os trabalhadores” e a tentativa de “continuar a empurrar os portugueses que trabalham para fora do país”.

“Precisamos de melhorar os serviços públicos e então resolvemos o problema empurrando para fora os trabalhadores que conhecem os serviços, que tem o ‘know-how’”?, questionou.

Francisco Braz lamentou que o Governo, no seguimento do “aperto às condições financeiras dos municípios”, pretenda “fazer um segundo aperto, pondo os municípios a criar das suas finanças já estranguladas um fundo de ação para ajudar os que estão em piores condições”.

Para o sindicalista, a criação do FAM com verbas de todos os municípios, “insere-se na continuação ao ataque à autonomia do poder local e ao caminho da democracia no país, que faz do poder local uma realidade incontornável na ação social, nas condições de vida das populações, na luta contra a desertificação do interior”.

“O Governo rouba às autarquias que mais ao menos têm cumprido para dar a algumas que têm mais dificuldades, criadas pelo Governo com as suas políticas”, acusou Francisco Braz, admitindo a necessidade da criação de um fundo, mas desde que não seja à custa dos municípios “que precisam desse fundo deixarem de ter existência própria”.

O capital social do FAM, a subscrever em 50% pelo Estado e na restante metade por todos os municípios, terá de ser realizado no prazo máximo de sete anos, com início em 2015, assegurando o Governo desde já o apoio aos municípios em situação mais crítica.

O secretário de Estado da Administração Local, Leitão Amaro, considerou que o FAM “vem criar um regime verdadeiramente novo de recuperação financeira dos municípios que estão em forte desequilíbrio”.


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