Solução para problemas de sono pode estar em passar mais tempo ao ar livre

Solução para problemas de sono pode estar em passar mais tempo ao ar livre

 

Lusa/Açoriano Oriental   Ciência   2 de Fev de 2017, 16:51

A solução para os problemas de sono pode estar em passar mais tempo ao ar livre, ao sol, segundo um estudo publicado na revista Current Biology.

A investigação, conduzida pela Universidade de Colorado Boulder, nos Estados Unidos, concluiu que poucos dias no campo, por exemplo numa atividade de campismo, bastam para as pessoas irem para a cama mais cedo, quer no verão, quer no inverno.

Para um dos autores do estudo, Kenneth Wright, o dia-a-dia tal como hoje é vivido "contribui para um ritmo circadiano tardio, independentemente da estação", que pode resultar, após uma noite mal dormida, em sonolência e, consequentemente, em acidentes de viação, reduzida produtividade no trabalho e na escola, abuso de drogas, oscilações de humor e doenças como a diabetes e a obesidade.

O estudo revela que um fim-de-semana no campo, por exemplo, pode redefinir o relógio biológico rapidamente, sendo que os humanos respondem a mudanças sazonais da luz do dia, tal como outros animais.

O ritmo circadiano designa o período de aproximadamente 24 horas no qual se baseia o ciclo biológico de quase todos os seres vivos, incluindo os humanos, sendo influenciado, entre outros fatores, pela variação da luz e pela temperatura.

Este ciclo regula o estado de vigília ou de sono, além da digestão, da renovação de células e do controlo da temperatura corporal.

Num estudo anterior, a equipa de Kenneth Wright descobriu que a exposição à luz elétrica atrasa os relógios biológicos cerca de duas horas, o que se traduz numa mudança das flutuações normais da hormona melatonina, que regula o sono.

Os investigadores concluíram, então, que uma semana de sol, no verão, era suficiente para as pessoas irem para a cama mais cedo, sem que o tempo de sono se alterasse.

No novo estudo, quiseram perceber o que acontecia no inverno e enviaram um grupo de pessoas a acampar durante uma semana, por altura do solstício, em que os dias são mais curtos. Não foi permitido o uso de lanternas nem de telemóveis.

Os cientistas constataram que, com o aumento do tempo gasto ao ar livre, as pessoas foram dormir mais cedo, e isso foi visível nos níveis de melatonina que apresentavam.

Kenneth Wright e restantes colegas verificaram igualmente, numa outra experiência, que acampar, no verão, durante um fim de semana, evitou o comportamento típico de fim de semana de se ficar acordado até tarde.

Perante os resultados, a equipa científica aconselha as pessoas a terem um horário regular para dormir, a aumentarem a exposição diurna à luz solar e a diminuírem a exposição noturna à luz elétrica.

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