Só já restam 187 quilómetros de via férrea estreita em Portugal

Só já restam 187 quilómetros de via férrea estreita em Portugal

 

Lusa / AO online   Economia   7 de Ago de 2010, 13:30

Há mais de um século, centenas de quilómetros de caminho de ferro rasgaram o isolamento do interior do país oferecendo às populações autênticas obras de engenharia que venceram acidentados terrenos e revolucionaram a mobilidade.

O comboio chegou a estas regiões pela via estreita de que já só restam 187 quilómetros em Portugal, metade dos quais com a circulação suspensa para obras ou à espera de uma de decisão sobre o seu futuro.

A via estreita representa apenas 6,7 por cento dos quase 2800 quilómetros da rede ferroviária com exploração, segundo dados da REFER, a proprietária das ferrovias.

“O “Vouguinha” é ó único comboio que prossegue viagem, atualmente, entre Espinho e Sernado do Vouga (Águeda) pelos cerca de 90 quilómetros que restam da linha do Vouga.

Outros pequenos troços sobreviveram nas linhas do Tâmega, entre a Livração e Amarante, e do Corgo, entre Vila Real e a Régua, que se encontram encerrados para obras, entretanto suspensas para “reavaliação”.

A suspensão da circulação nestas duas vias seguiu-se às conclusões do inquérito ao último de quatro acidentes na linha do Tua, que tem as mesmas características, e à qual os peritos apontarem “erros grosseiros” e a “desadequação das carruagens.

O comboio só circula em 15 quilómetros da linha do Tua, entre Mirandela e o Cachão, com a maior parte da via encerrada há dois anos à espera que o Governo decida se a via ficará submersa pela barragem de Foz Tua.

Também no tempo em que estas ferrovias foram construídas pesou o custo da obra e, perante o esforço técnico e financeiro que seria necessário para vencer a sinuosidade dos terrenos, optou-se por uma solução mais “apertada”, com uma distância entre carris mais pequena, a que chamaram via estreita.

Foram batizadas com o nome dos rios que serpenteavam e, durante décadas, o único meio de transporte de pessoas e mercadorias, até serem ultrapassadas pelo automóvel e as estradas.

O fim destas linhas começa a ditar-se em 1969, quando o conselho de administração da CP decide encerrar as linhas de tráfego reduzido.

Menos de vinte anos depois, ao mesmo tempo que era aprovado o plano de modernização dos caminhos de ferro é encerrada na totalidade a linha do Sabor, a linha do Dão e a linha do Vouga, entre Santa Comba Dão e Viseu.

Dois anos depois encerra o troço entre Amarante e Arco de Baúlhe da linha do Tâmega, a linha do Vouga perde Sernada /Viseu e o comboio deixa de circular entre Vila Real e Chaves, na linha do Corgo.

Em 1992 é desativada a maior parte da linha do Tua, entre Mirandela e Bragança, sem nunca ter cumprido o propósito inicial de ligar a Espanha, o mesmo acontecendo na linha do Corgo.

A região de Trás-os-Montes foi a que mais perdeu, quase trezentos quilómetros de via férrea.

Para além das vias estreitas, foram encerrados outros troços de caminho de ferro no país, num total de 700 quilómetros, dezenas de estações ao abandono, e alguns carris substituídos por ecopistas.


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