Só a direita anti-democrática recusa a regra da maioria

Só a direita anti-democrática recusa a regra da maioria

 

Lusa/AO Online   Nacional   9 de Nov de 2015, 18:11

O líder parlamentar do PS defendeu hoje que só a "direita" antidemocrática recusa a regra da maioria, considerou que o PSD radicalizou-se e que os socialistas, mesmo com maioria absoluta, teriam um programa semelhante ao atual.

Posições de Carlos César no seu discurso de fundo no debate do programa do Governo, em que apelou a uma cultura de tolerância e de respeito mútuo face às divergências, mas que foi muito contestado pelas bancadas do PSD e do CDS.

Numa alusão à questão da legitimidade de um Governo alternativo formado pelo PS, com suporte parlamentar do PCP, Bloco de Esquerda e "Os Verdes", Carlos César declarou: "Para a aceitação da investidura deste Governo não sobressai nem o valor nem o desvalor da tradição, mas tão só o valor da democracia cujo resultado a prosseguir é o da maioria. Só a direita que se dá mal com a democracia não aceita a maioria e só a direita que convive mal com a democracia não aceita opiniões contrárias", disse, gerando sonoros protestos entre deputados sociais-democratas e centristas.

Numa síntese do que poderá ser um Governo alternativo liderado pelo PS, o ex-presidente do Governo Regional do Açores colocou como missões fundamentais "recuperar [o país] sem descontrolar e reformar sem fragilizar".

Mas o presidente do PS também deixou alguns recados ao próprio chefe de Estado sobre a necessidade de um Governo alternativo respeitar os compromissos internacionais de Portugal: "O PS não recebe lições de europeísmo de ninguém, incluindo de todos os atuais titulares de órgãos de soberania, mas o Governo de Portugal terá de passar a ter uma voz ativa, na Europa, na defesa dos interesses do nosso país e também na defesa do projeto europeu, não entendido apenas na ótica de um grande mercado. Divergimos da subserviência e da desistência do Governo PSD/PP", afirmou.

Na sua intervenção, o líder da bancada socialista defendeu a tese de que o PS, se tivesse ganho as eleições com maioria absoluta, "poderia não estar a celebrar com a mesma formalidade ou a discutir com a mesma profundidade com o Bloco de Esquerda ou com o PCP um acordo de políticas, mas estaria, certamente, a procurar governar com um programa e conteúdos muito semelhantes aos que se proporá fazer em consequência dos acordos que acabou por concretizar com esses partidos".

"Na verdade, nos últimos anos, a direita portuguesa reconfigurou-se e radicalizou-se, incluindo nesse movimento o afastamento do PSD das suas raízes e emanações históricas e essenciais. A prova é que procurou o CDS, e não o PS, antes e logo após estas eleições", sustentou o presidente do PS.


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