Brasil

Situação económica pode definir eleições presidenciais

 Situação económica pode definir eleições presidenciais

 

Lusa/AO Online   Internacional   29 de Set de 2014, 08:27

Com uma disputa apertada entre os três principais candidatos, as eleições presidenciais no Brasil poderão ser determinadas pela conjuntura económica, que tem animado os debates, com fortes críticas dos opositores ao governo atual.

Após um primeiro momento em que apresentou certa resistência frente ao cenário internacional, diante da forte crise financeira que afetou a maior parte dos países desenvolvidos, a economia brasileira passou a apresentar claros sinais de desaceleração, com taxas de crescimento abaixo do esperado e uma produção industrial claudicante.

Por outro lado, o país tem conseguido manter uma das mais baixas taxas de desemprego de sempre, cerca de 5 por cento, e, embora a inflação esteja mais alta que há quatro anos - aproximadamente 6,5 por cento ao ano -, ainda está longe de gerar maiores preocupações, como no passado. Além disso, o poder de compra dos mais pobres também tem aumentado.

"A economia vai mal, os números vão mal, mas o emprego e nível de renda das pessoas no Brasil realmente melhoraram. A expectativa, no entanto, é ruim, e parece haver um consenso na população de que é preciso haver uma renovação” na política econômica, observa à Lusa o economista e professor de matemática financeira José Dutra Vieira Sobrinho.

Por isso, os debates entre os principais candidatos têm estado concentrados em torno de promessas para a economia, com alguns deles a indicar, antecipadamente, quem serão seus ministros da Fazenda (Economia), tentando deixar claro qual será o seu rumo nas áreas económica e financeira.

O candidato de oposição Aécio Neves (Partido da Social Democracia Brasileira, PSDB) já anunciou o nome do seu futuro ministro da Economia - Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central -, a atual Presidente e recandidata, Dilma Rousseff, procurou deixar claro que seu atual ministro, Guido Mantega, não continuará num eventual segundo mandato.

Aécio Neves e Marina Silva (Partido Socialista Brasileiro, PSB) criticam ainda certo "improviso" nas políticas fiscais, tendo em vista as últimas medidas de emergência tomadas pelo governo, que incluíram reduções temporárias de impostos, destinadas a setores específicos.

A maior crítica é de que esse tipo de medidas gera instabilidade e incerteza aos investidores, que não sabem o que esperar da legislação local.

No plano internacional, os dois principais opositores de Dilma Rousseff, Aécio Neves e Marina Silva, criticam certa "paralisia" do Mercosul (Mercado Comum do Sul formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela) e prometem impulsionar as negociações para a liberalização comercial com outros países e blocos, incluindo a União Europeia.

Dilma segue favorita nas sondagens, mas no caso de uma provável segunda volta, as pesquisas indicam que a preferida é Marina Silva, à frente da atual Presidente.

Para Sobrinho, Marina Silva, à esquerda de Dilma, deverá indicar o seu ministro numa eventual segunda volta para tentar "acalmar" os mercados.

A primeira volta acontece no próximo dia 5, enquanto uma eventual segunda volta será realizada no dia 26 de outubro.


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