Situação económica e financeira das farmácias é "preocupante" -

Situação económica e financeira das farmácias  é "preocupante" -

 

Lusa/AO Online   Nacional   20 de Ago de 2010, 07:50

No primeiro semestre deste ano o número de farmácias com fornecimentos suspensos aumentou 47 por cento, um dos dados que faz com que a Associação Nacional de Farmácias (ANF) considere a situação económica e financeira destes estabelecimentos “preocupante”.

Segundo dados da ANF a que a agência Lusa teve acesso, em junho deste ano 375 farmácias estavam com os fornecimentos suspensos, mais 47 por cento do que em dezembro do ano passado (255).

“Naturalmente que é preocupante, aliás este quadro é elucidativo, uma vez que em seis meses revela uma degradação da situação financeira e de relacionamento das farmácias com os fornecedores”, disse à Lusa o vice presidente da ANF, João Silveira.

No mesmo período, entre dezembro de 2009 e junho de 2010, o número de processos judiciais em curso para a regularização de dívidas das farmácias aumentou de 121 para 168, o que significa um aumento de 39 por cento.

Já o número de farmácias com acordos de regularização de dívidas aumentou 178 por cento, passando de 179 para 497.

João Silveira referiu que “apesar da antecipação dos pagamentos do Serviço Nacional de Saúde às farmácias, a situação está a complicar-se”.

“Isto é um rescaldo da baixa de margens a funcionar durante três, quatro anos, na sequência da decisão do Governo anterior. Por outro lado, também tem que ver muito com a quebra dos preços dos medicamentos, que foram sucessivas, e agora mais recentemente com a quebra drástica em relação aos medicamentos genéricos, que começam a ter uma quota de mercado importante”, afirmou.

O mercado ambulatório, das farmácias de rua, de acordo com o responsável, “quer em valor quer em unidade, tem estado praticamente estável ou por vezes tem caído. Onde o mercado sobe com grande incidência é ao nível do consumo hospitalar”.

Para tentar alterar este cenário, o vice presidente da ANF aponta duas possíveis soluções: “Como atualmente as farmácias vivem da sua margem, que apesar de ter sido resposta continua a ser a mais baixa da Europa, uma possibilidade é mexer na margem. Apesar de o contexto não ser o mais adequado. Outra hipótese, e que está a acontecer em alguns países da Europa, é dissociar o preço às farmácias do preço do medicamento e as farmácias poderem ser remuneradas através do serviço prestado aos doentes”, defendeu.

O responsável recordou que as farmácias, segundo um estudo elaborado recentemente pela Universidade Católica, prestam "um grande número de serviços à população totalmente grátis”, além “além da dispensa, informação dos medicamentos e o acompanhamento”.


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