Sindicatos revelaram grande dificuldade em adaptar-se à nova economia

 Sindicatos revelaram grande dificuldade em adaptar-se à nova economia

 

Lusa/AO Online   Economia   30 de Abr de 2015, 13:37

O investigador Elísio Estanque considerou hoje que os sindicatos mais tradicionais revelaram "grande dificuldade" em adaptar-se à nova organização da economia e mercados, o que levou à sua "fragilização crescente".

“As estruturas tradicionais do campo sindical revelaram uma grande dificuldade em se ajustarem a estas novas dinâmicas da economia e dos mercados internacionais e isso também contribuiu para a sua fragilização crescente”, disse Elísio Estanque, que falava à agência Lusa a propósito do Dia do Trabalhador.

O investigador recordou a importância das estruturas sindicais depois da Segunda Guerra Mundial no desenhar de programas de desenvolvimento económico e na consagração de novos direitos para os trabalhadores

Nos últimos tempos, contudo, assistiu-se a um “recuo imenso” nesta matéria. O “novo ciclo de globalização significou uma maior força dos mercados, uma secundarização progressiva do papel do Estado e uma supressão de alguns direitos”, frisou.

Esta situação levou a que o sindicalismo perdesse força e a classe trabalhadora ficasse mais dividida, com vínculos de trabalho mais instáveis, salários mais baixos e uma “insegurança muito maior”.

Perante esta realidade, é necessário que as estruturas representativas dos trabalhadores se “mantenham vivas e ativas”, defendeu, lembrando a importância do mundo laboral e do campo sindical para a “estabilidade e a viabilidade” dos sistemas social e económico.

“A sociedade não pode avançar no sentido de uma assimetria tão grande, de injustiças sociais tão flagrantes que se deixe morrer os trabalhadores, que se subtraiam todos os seus direitos, toda a proteção, toda a segurança”, advertiu.

Também o investigador Boaventura Sousa Santos defendeu à Lusa a importância dos sindicatos para proteger os trabalhadores.

“O trabalhador estava protegido e reivindicava no âmbito do sindicato, mas “infelizmente, hoje, em muitos setores da economia isso é uma memória”.

Na opinião do sociólogo, a estratégia das duas centrais sindicais portuguesas é hoje adequada: “Não há a muito mais a fazer porque tem havido todo um esforço para lutar contra a sindicalização”, descredibilizando os sindicatos.

Sobre as razões que levam muitos trabalhadores a não serem sindicalizados, apontou que muitas vezes representa algum custo (pagamento de quotas).

Por outro lado, “a crise tem sido usada para poder destruir os direitos dos trabalhadores” e estes ficam “um pouco confundidos” porque se habituaram a que os sindicatos defendessem os seus direitos e veem que hoje já não são capazes de o fazer devido a questões jurídicas e políticas.

Já Manuel Carvalho da Silva, que liderou a CGTP-In durante 26 anos, disse que “as pessoas estão aprisionadas por dinâmicas de sobrevivência” do seu emprego e dos seus rendimentos e “são quase todos os dias desafiadas a tentarem safar-se de qualquer forma”.

São quase “como que isoladas” para serem responsabilizadas pelos seus êxitos e essencialmente pelos seus fracassos, vivendo “debaixo de premências que tornam difícil a ação coletiva que leva à afirmação e à instalação dos quadros de direitos e deveres que marcam as sociedades”, disse Carvalho da Silva.

“Procuremos agir antes de desaguarem situações de ruturas desordenadas que podem levar a problemas muito graves como guerras e outras desestruturações profundas das sociedades”, alertou.


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