Sindicatos defendem alternativas à utilização da base das Lajes

Sindicatos defendem alternativas à utilização da base das Lajes

 

Lusa/AO online   Regional   27 de Nov de 2012, 11:06

O coordenador da União de Sindicatos de Angra do Heroísmo (USAH-CGTP), Vítor Silva, considerou esta terça-feira que o Estado português deve reconsiderar a presença norte-americana na Base das Lajes, se se confirmarem despedimentos de trabalhadores portugueses.

“Devemos exigir aos norte-americanos, que para poderem utilizar aquele espaço tenham de manter o número de postos de trabalho, nem que para isso tenham de criar outras valências”, frisou, em conferência de imprensa, em nome da USAH e do Sindicato dos Trabalhadores de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores (SABCES).

A administração norte-americana informou na semana passado o Governo português da ratificação de uma proposta de redução do seu efetivo militar na Base das Lajes, o que segundo o semanário Expresso, fará com que a presença norte-americana nos Açores fique reduzida a 160 elementos, dos atuais 800 militares e 600 familiares, prevendo-se ainda o despedimento de 300 trabalhadores portugueses.

Vítor Silva salientou que “a economia da ilha Terceira não tem capacidade para absorver 50 trabalhadores da Base das Lajes”, quanto mais “centenas” de postos de trabalho diretos e indiretos, alertando para o facto de o desemprego ter triplicado na região desde 2010.

Nesse sentido, pediu “coragem política” ao Estado português para que “encontrem outros interessados” na Base das Lajes, se os EUA insistirem em reduzir os postos de trabalho portugueses, acusando a “parte portuguesa” de nunca ter tido “um plano B”.

“O Governo da República não pode estar distraído quanto às implicações catastróficas na economia e na situação social da ilha Terceira e da região, resultantes de uma redução significativa da presença americana na Base das Lajes”, salientou, acrescentando que “o Governo Regional não se pode esquecer que tem de ser muito mais do que um pombo-correio neste processo”.

Vítor Silva disse esperar que “esta situação não seja conduzida da forma deplorável como foi conduzida a negociação anterior, que acabou com o inquérito salarial anual, sem que os trabalhadores e as suas estruturas representativas, ou quaisquer outras entidades fossem consultadas”.

O sindicalista defendeu que a ligação entre a região e a República deve ser assegurada pelo presidente do Governo Regional, “sem intermediários”, esperando que as forças políticas “não mudem de opinião conforme o partido que está no Governo na República ou lhes dê jeito sacudir a água do capote”.

Os sindicatos têm já agendadas reuniões com os trabalhadores portugueses na Base das Lajes e com a sua comissão representativa, tendo solicitado também encontros com o presidente do Governo Regional, o Representante da República para os Açores, os Ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, as presidentes da Assembleia Legislativa dos Açores e da República e as forças políticas representadas nas Assembleias Regional e da República.



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