Sindicato diz que SATA perdeu perto de 25 pilotos em dois anos

Sindicato diz que SATA perdeu perto de 25 pilotos em dois anos

 

Lusa/AO online   Regional   27 de Jun de 2014, 18:48

O dirigente do Sindicato Nacional dos Pilotos da Aviação Civil Bruno Pereira afirmou hoje que a SATA perdeu perto de 25 pilotos em dois anos e rejeitou que os conflitos laborais sejam responsáveis pela situação financeira da empresa

Segundo Bruno Pereira, que falava aos jornalistas à margem de uma audição pública organizada pelo PCP/Açores, em Ponta Delgada, sobre a situação da companhia aérea, a SATA Internacional (que faz ligações para destinos fora dos Açores) perdeu 20 pilotos nos dois últimos anos e a SATA Air Açores (que faz os voos inter-ilhas) pelo menos mais quatro.

Em termos percentuais, a SATA perdeu mais do dobro dos pilotos que perdeu a TAP no mesmo período, acrescentou, dizendo que a companhia aérea açoriana "não repôs" estes recursos humanos e só há dois meses, já em época alta, iniciou a formação para passar pilotos dos aviões de médio curso para os de longo curso.

"Mas é um processo moroso", sublinhou Bruno Pereira, acrescentando que, por outro lado, nesta altura do ano, todos os pilotos, instrutores ou não, estão "super-ocupados", a voar diariamente.

O resultado tem sido voos atrasados por falta de tripulações, mas também devido a avarias nos aviões, associadas à idade da frota de longo curso, afirmou, apontando a aparente incapacidade da administração da empresa em tomar uma decisão sobre a sua renovação.

A saída dos pilotos "vai continuar" e deve-se, afirmou, à "indefinição" e "instabilidade" que se vive no grupo, sobretudo na SATA Internacional, tendo o anterior conselho de administração sido avisado de que "a probabilidade de haver uma evasão de pilotos era muito grande".

Bruno Pereira considerou, por outro lado, que a greve convocada pela plataforma sindical da SATA no ano passado "garantidamente" não foi responsável por quatro dos 16,7 milhões de euros de prejuízos que a empresa teve em 2013, destacando que todos os passageiros foram reacomodados em outros voos e não foram pagas indeminizações.

Durante o debate organizado pelo PCP, o piloto acrescentou que este ano não tem havido instabilidade social na empresa que ponha em causa a sua sustentabilidade e a situação da SATA está ainda pior.

Segundo Bruno Fialho, os trabalhadores da SATA estão preocupados com a situação da empresa, destacando que além dos resultados negativos, se desconhece, a meio do ano, um plano de exploração para 2014.

Também o líder do PCP/Açores, Aníbal Pires, disse que vai de novo levar a situação da SATA ao parlamento regional, em julho, por se desconhecer qual a estratégia que o Governo açoriano tem para a transportadora.

"Tem sido assim uma espécie de navegação à vista", afirmou, dizendo que têm sido dadas "indicações avulsas" à empresa e, sobretudo, "sem articulação com o conselho de administração".

Como exemplo, referiu o anúncio feito pelo próprio presidente do executivo, Vasco Cordeiro, do reforço, este ano, das ligações à América do Norte.

Aníbal Pires questionou se "alguém disse” a Vasco Cordeiro “que a frota não tinha condições de fiabilidade" nem havia "tripulações suficientes" para garantir essa operação.

O dirigente comunista sublinhou ainda que em abril o secretário regional dos Transportes assegurou haver um plano de exploração para 2014 que, na realidade, "não passa da escala mensal da operação" da SATA.


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