Sindicato de Angra apela à defesa dos trabalhadores portugueses

Sindicato de Angra apela à defesa dos trabalhadores portugueses

 

Lusa/AO Online   Regional   23 de Abr de 2015, 06:30

O Sindicato dos Profissionais dos Transportes, Turismo e Outros Serviços de Angra do Heroísmo alertou o Representante da República nos Açores para a necessidade de se defenderem os interesses dos trabalhadores portugueses na base das Lajes.

 

"Estamos outra vez com um grave problema de soberania nacional. Se não se põe termo e se não se atua junto dos americanos, fazendo com que as leis portuguesas sejam cumpridas em Portugal e com que os acordos sejam cumpridos, estamos muito mal no futuro", frisou o dirigente do sindicato Paulo Borges, no final de uma reunião com o Representante da República, Pedro Catarino, na ilha Terceira.

Segundo o dirigente sindical, o inquérito que circulou entre os trabalhadores portugueses da base das Lajes, sobre a sua disponibilidade para rescindir contrato por mútuo acordo, foi uma "violação grave" e um "ato indigno".

"Ficamos estupefactos porque pensamos que se calhar uma chefe do escritório do pessoal civil americana manda mais na base das Lajes do que manda um coronel português", frisou, alegando que o inquérito só podia ser posto a circular com a autorização do comando português.

Paulo Borges considerou ainda um "desrespeito absoluto" que a Força Aérea norte-americana tivesse notificado formalmente a Comissão Representativa dos Trabalhadores da intenção de redução na base das Lajes, mas não tivesse notificado os sindicados, acusando também o comando português de "desrespeito" por não o ter detetado.

Após ter sido divulgada a notificação aos trabalhadores, o ministério dos Negócios Estrangeiros disse que foi transmitido, numa reunião com o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, que o processo de redução "não deverá prosseguir em termos efetivos até à reunião extraordinária da Comissão Bilateral Permanente que se realizará em Washington".

O dirigente sindical elogiou a posição do Ministro dos Negócios Estrangeiros por ter mandado "parar" o processo de redução militar norte-americana na base das Lajes, alegando que "Portugal foi firme na defesa dos interesses dos trabalhadores", mas recomendou "cautela".

"Não entendemos que o Governo Regional aceite tal situação, nem que a comissão de trabalhadores que existe, nem o comando português, nem o comando americano se prontifiquem a despedir trabalhadores ou a colocar trabalhadores no desemprego a qualquer preço sem definir primeiro as negociações", frisou.

Para Paulo Borges, é uma "traição a Portugal" avançar com o processo de redução antes da próxima reunião da Comissão Bilateral Permanente, agendada para 16 de junho, porque qualquer medida que seja tomada pode demonstrar a "fragilidade" da negociação que Portugal está a preparar.

O sindicato defende uma revisão do acordo laboral, o aumento das indemnizações de um para dois meses e o alargamento da idade mínima de acesso à pensão extraordinária dos 45 para os 40 anos de idade.

O Representante da República para os Açores, Pedro Catarino, não quis prestar declarações aos jornalistas.

A administração norte-americana pretende despedir 420 dos cerca de 800 portugueses que trabalham na base das Lajes, até ao outono de 2015.

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