Sinaga rejeita suspensão da venda da antiga fábrica do álcool

Sinaga rejeita suspensão da venda da antiga fábrica do álcool

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   8 de Fev de 2017, 17:57

A administração da açucareira Sinaga rejeitou uma eventual suspensão da venda da antiga fábrica do álcool, na Lagoa, cuja chaminé e outros elementos deverão ser objeto de classificação municipal.

 

"Entendemos que para a Sinaga não seria o melhor caminho suspender a venda, mas a Assembleia Legislativa é soberana, o Governo Regional, que representa os açorianos, como proprietário da empresa, terá a sua última palavra", afirmou o presidente do conselho de administração da empresa pública, Paulo Neves, após ser ouvido na Comissão de Economia do parlamento açoriano, em Ponta Delgada.

A comissão reuniu para audições no âmbito do projeto de resolução do PSD que preconiza a suspensão, por três anos, da venda das instalações da antiga fábrica do álcool da Lagoa, para que o município, com o Governo Regional, possam encontrar uma solução viável para aquele espaço.

Aos jornalistas, Paulo Neves declarou que a administração da empresa entende que "a melhor solução é tentar vender o ativo o mais rapidamente possível", adiantando que o imóvel foi colocado à venda em setembro de 2016 por 3,5 milhões de euros.

O responsável referiu que o passivo da empresa era, no fecho de contas de 2015, na ordem dos 25 milhões de euros, sendo que 20 milhões reportam-se ao passivo bancário.

Questionado se três milhões de euros num passivo de 25 milhões resolvem a situação da açucareira, o administrador declarou que o problema da Sinaga é "complexo e não há soluções milagrosas", admitindo que, se não for resolvido, "terá de haver uma injeção" de capital.

Paulo Neves reconheceu ainda que a abertura da empresa a privados poderá ser uma solução, garantindo que, neste momento, "não há mais nada à venda", mas tal poderá suceder, e alertou os parlamentares para os custos de manutenção do espaço, assim como a segurança.

Também ouvida na comissão, a presidente da Câmara da Lagoa, Cristina Decq Mota, adiantou que a autarquia deliberou na segunda-feira iniciar "um novo processo de classificação que não ficasse cingido apenas à chaminé da fábrica do álcool", mas integrando outros elementos do imóvel que considera de interesse municipal preservar.

Entre eles conta-se a "zona dos tanques de armazenamento de álcool, elementos arquitetónicos de grande interesse", exemplificou Cristina Decq Mota, frisando que a classificação não vai obstar à eventual venda da antiga fábrica.

"É nosso entendimento que estes elementos que carecem de ser preservados não vão influenciar a venda da fábrica do álcool", assegurou, dizendo acreditar que "não há condições para doar a fábrica à câmara".

A autarca esclareceu que a câmara não vai classificar todo o imóvel, mas o que, do ponto de vista municipal e "dentro daquilo que é sensato", é passível de ser compatível com o destino que vier a ser dado ao espaço.

Em novembro, o secretário regional da Agricultura e Florestas dos Açores, João Ponte, afirmou que uma solução sobre a empresa açucareira Sinaga deveria ser conhecida dentro de seis meses.

No mês seguinte, reiterou que a viabilização da açucareira passa pelo envolvimento dos privados.


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