Setores automóvel e aeronático querem produtos mais leves e baratos


 

Lusa/Açoriano Oriental   Economia   12 de Abr de 2017, 19:00

Uma 'performance' elevada e produtos mais leves e baratos são fatores que os setores automóvel e aeronáutico ambicionam, segundo o investigador Luís Pina, gestor de um projeto que visa transferir tecnologia entre ambas as áreas, apresentado no Porto.

Esta é uma das conclusões iniciais do projeto europeu AEROCAR, desenvolvido pelo Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI), em colaboração com o Centro Tecnológico Automóvel da Galiza (CTAG), a fundação de pesquisa espanhola Leartiker e o centro francês de investigação e desenvolvimento Rescoll, apresentadas hoje na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

De acordo com o investigador, o objetivo desta rede internacional, "que não se quer estática e que se pretende que cresça nos próximos anos", é "reduzir o risco e o investimento necessário para a introdução de inovações em cada um dos setores" automóvel e aeronáutico.

"A inovação e a aposta em novas tecnologias comporta sempre riscos e investimentos elevados", indicou à Lusa o especialista, acrescentando que, se for possível "pegar em tecnologias que já estão estabilizadas num dos setores e passá-las para o outro, muito rapidamente e com pouco investimento", conseguem-se "grandes ganhos".

Segundo indica, quer o setor automóvel quer o aeronáutico são "muito pressionados", a nível social e político, para reduzir as emissões de dióxido de carbono e gases que provocam o efeito de estufa.

No entanto, para além das questões ambientais, ambos os setores pretendem também minimizar os custos dos seus produtos, através da incorporação de novas tecnologias.

Luís Pina considera que as questões ambientais, embora importantes, "são muito menos poderosas do que as económicas", visto que "o que interessa às companhias aéreas é reduzir a fatura do combustível".

Os passos seguintes passam pela seleção de tecnologias que possam demonstrar a capacidade de transferência de conhecimento entres os setores, desenvolvendo, de seguida, produtos para a área automóvel utilizando tecnologias do campo aeronáutico, e vice-versa.

No último ano do projeto, os responsáveis pretendem dar apoio ao nível de consultoria e de engenharia às empresas nacionais para que estas possam incluir as tecnologias desenvolvidas nos seus produtos.

Segundo um comunicado do INEGI, e segundo dados avançados pela Comissão Europeia, a indústria automóvel gera um volume de negócios de cerca de 640 mil milhões de euros anuais, o que representa 4% do PIB (Produto Interno Bruto) da União Europeia (UE) e emprega 12 milhões de pessoas.

Já a indústria aeronáutica é considerada "um dos principais setores de alta tecnologia da UE, empregando em 2013 mais de meio milhão de pessoas e gerando um volume de negócios de cerca de 140 mil milhões de euros", lê-se ainda na nota informativa.

Durante a apresentação, foram analisadas e debatidas as principais tendências tecnológicas dos setores aeronáutico e automóvel, com foco nos novos materiais e tecnologias de produção e o respetivo potencial de transferência intersetorial.

O AEROCAR, que finaliza em 2019, é cofinanciado pelo Programa Interreg Sudoe, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Estiveram presentes no evento representantes das empresas de ambos os setores, como é o caso da Caetano Aeronautics, da Critical Materials, da Inapal Plásticos e da Simoldes, bem como do setor aeronáutico português (Portuguese Aerospace Industry Association - PEMAS) e da Associação dos Fabricantes do Setor Automóvel (AFIA).


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