Setor do leite dos Açores diz estar a ser penalizado por decisões políticas

Setor do leite dos Açores diz estar a ser penalizado por decisões políticas

 

Lusa/AO Online   Regional   15 de Jun de 2016, 14:27

O presidente da Federação Agrícola dos Açores declarou hoje que a produção de leite na região está a ser penalizada na sequência de uma série de "decisões políticas erradas" sobre as quais os produtores não tem responsabilidades.

 

“A origem das nossas dificuldades não tem nada a ver com os produtores, mas essencialmente com decisões políticas erradas como o embargo russo, que foi a primeira que teve um efeito nefasto, a par da abolição do regime das quotas leiteiras, que também é uma decisão política da União Europeia (UE)”, declarou Jorge Rita à agência Lusa.

O dirigente agrícola dos Açores, região que produz 30 por cento do leite no contexto nacional, foi hoje ouvido, em Lisboa, no grupo de trabalho da Assembleia da República para o setor leiteiro, na sequência da liberalização do regime de quotas no espaço comunitário.

“Estamos numa guerra em que não fomos tidos nem achados e a sofrer as suas consequências com prejuízos incalculáveis derivados da baixa do preço do leite”, disse Jorge Rita, que reafirmou que em 2015 o setor teve menos 30 milhões de euros de receita nos Açores.

O responsável pela FAA considerou que as primeiras ajudas de Bruxelas revelaram-se “insignificantes”, enquanto as ajudas nacionais “têm sido muito poucas” por parte dos governos nacionais, anterior e atual.

Jorge Rita defendeu que a Assembleia da República deve “obrigar” os governos nacional e regional a desenvolverem ações mais benéficas para fazer face à crise no setor leiteiro e fez votos que o relatório a elaborar pelo grupo de trabalho parlamentar “não seja apenas para fazer de conta”.

O dirigente agrícola voltou a afirmar que se deve suspender o pagamento por conta aos produtores, que está a ser calculado com base em valores de 2014, e que o país deveria, ao abrigo do acordo bilateral que detém com os Estados Unidos, potenciar a exportação de produtos regionais para aquele país.

“A região deveria agir de forma proactiva, como já transmiti ao presidente do Governo dos Açores e ao primeiro-ministro, até porque está em negociação o Tratado de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP). Não vejo qual é posição dos Açores. Temos condições para começar, no quadro das negociações da base das Lajes, a apostar na exportação de produtos da região”, declarou o líder da FAA.

Jorge Rita preconizou ainda que a diplomacia nacional deveria potenciar os mecanismos ao seu alcance para que se exporte para Angola os excedentes nacionais, entre os quais o leite e seus derivados.

 


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