Setor do arroz contesta exclusão de apoios europeus para uso eficiente da água

Setor do arroz contesta exclusão de apoios europeus para uso eficiente da água

 

Lusa/AO Online   Nacional   24 de Fev de 2015, 17:50

Produtores de arroz reunidos na Figueira da Foz contestam a exclusão do setor nas candidaturas a apoios europeus para uso eficiente da água, reclamando a revisão da medida.

 

"Como é que o arroz, que é o maior utilizador de água, fica de fora das medidas", questionou hoje João Reis Mendes, presidente da Associação de Orizicultores de Portugal (AOP), durante o 6.º Encontro da Orizicultura Portuguesa que decorreu naquela cidade do distrito de Coimbra.

À margem da reunião, em declarações à agência Lusa, João Reis Mendes frisou que os apoios europeus para uso eficiente da água no âmbito do quadro comunitário de apoio Portugal 2020 incidem sobre a rega de aspersão e gota a gota, deixando de fora o método de alagamento dos campos utilizado pelos orizicultores.

O responsável da AOP explicou que os apoios foram decididos "exatamente para proporcionar uma poupança" daquele recurso "que é escasso" e que os produtores "têm consciência de que há algum desperdício" de água na orizicultura portuguesa.

"Há muita coisa por fazer e deveríamos poder aproveitar esta medida. Há aqui um espaço para melhorarmos a eficiência", defendeu.

Ainda de acordo com João Reis Mendes, a produção de arroz em Portugal - concentrada maioritariamente nas zonas de Benavente, Alcácer do Sal e no Baixo Mondego - não seria compensadora em termos económicos se não fossem as ajudas europeias.

Os custos de produção, explicou, são "relativamente estáveis e fixos e com tendência para subir e o preço de venda do produto não é compensador".

"Só por si, se não houvesse mais nenhuma ajuda, não era possível fazer. A Europa está a concorrer com o resto do mundo e o resto do mundo tem condições de produção diferentes. Só com uma política agrícola europeia que ajude os agricultores a produzir e atribuindo compensações é que se pode fazer arroz", frisou o presidente da AOP.

João Reis Mendes enalteceu ainda a ação do secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque, em defesa do setor do arroz: "Quando foi da negociação [europeia] conseguiu um travão para que as ajudas [à produção] não descessem abaixo de um determinado nível e tomou a opção nacional de uma ajuda ligad ao arroz, que foi sempre a posição da AOP. É um homem da terra do arroz, desta região [do Baixo Mondego] e que sente os nossos problemas. Fez um trabalho importante", declarou.

 

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