Sete sábios vão aconselhar UE em matéria de Ciência

Sete sábios vão aconselhar UE em matéria de Ciência

 

Lusa/AO online   Internacional   13 de Mai de 2015, 17:59

Uma assembleia de sete sábios será encarregada de aconselhar a Comissão Europeia (CE) em matéria científica para garantir "independência e transparência" numa área em que o executivo europeu tem sido frequentemente acusado de parcialidade, anunciou a CE.

 

Este grupo de alto nível deverá ser criado até ao outono de 2015, como pedra angular de um novo modelo de conselho científico, precisou, em conferência de imprensa, o comissário da Ciência, Carlos Moedas.

Os sete sábios serão escolhidos "em todo o mundo, com a excelência como único critério, por uma comissão de seleção", precisou. Receberão uma compensação pelo seu trabalho, mas não serão funcionários da Comissão.

A Comissão dispõe já de uma série de organismos e de agências científicas, mas "falta um mecanismo que forneça em tempo útil pareceres independentes e de alto nível", sublinhou.

Este contributo científico permitirá melhorar a resposta tanto a problemas urgentes, "como os colocados pela epidemia de Ébola", quanto à elaboração de estratégias de longo prazo, por exemplo, para fazer face ao desafio alimentar que se vai colocar ao planeta, explicou o comissário português.

Tudo "sem conflitos de interesses", insistiu.

O novo mecanismo pode "ser muito construtivo no futuro", saudou o Nobel da Medicina 2001, Paul Nurse, com quem o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, se reuniu, juntamente com outros responsáveis europeus.

Esta nova arquitetura não deve, contudo, tornar-se um álibi para cortar fundos destinados pela UE à investigação, advertiu o biólogo francês Jules Hoffmann, Nobel da Medicina 2011, declarando-se "aliviado" com os compromissos da Comissão para "reduzir o máximo possível" esses cortes.

Juncker anunciou, à chegada, que vai suprimir o cargo de chefe conselheiro científico junto do presidente da CE, criado pelo seu antecessor, José Manuel Durão Barroso, e confiado à britânica Anne Glover, favorável a OGM (Organismos Geneticamente Modificados).

Várias Organizações Não-Governamentais, entre as quais a Greenpeace e a Aliança Saúde e Ambiente, pediram a Juncker para instaurar outro mecanismo para neutralizar "os lobistas da indústria" que "compreenderam há muito tempo que quanto mais o aconselhamento científico estiver concentrado nas mãos de uma só pessoa, mais fácil lhes será controlá-lo".

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