Inquérito/Banif

Sérgio Figueiredo nega instrumentalização da TVI

Sérgio Figueiredo nega instrumentalização da TVI

 

Lusa/AO Online   Economia   19 de Mai de 2016, 05:57

O diretor de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, garantiu que a estação televisiva não foi instrumentalizada no âmbito do caso Banif, reforçando que o assunto estava a ser investigado há alguns meses pelos jornalistas da casa.

 

À questão "a TVI foi instrumentalizada?", lançada pelo deputado do PSD Carlos Abreu Amorim na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, Sérgio Figueiredo respondeu que "não".

E insistiu na ideia que já tinha passado aos deputados em diversas ocasiões durante a sua audição.

"O processo estava a ser seguido há muito tempo. Não chegámos ao assunto nesse dia, e não tenho até hoje evidências de que o que foi noticiado tivesse beneficiado alguém", afirmou o diretor de informação da TVI.

"Do ponto de vista político-partidário, nem sequer entro nesse debate", acrescentou, admitindo que existem sempre interesses por trás das informações que as fontes passam e ilustrando com o caso Watergate, um escândalo político que abalou os Estados Unidos (EUA) na década de 1970.

"Se percebêssemos que a estação estava a ser instrumentalizada, até pelos nossos telespetadores, nós próprios denunciaríamos a fonte", realçou Sérgio Figueiredo.

Por seu turno, Eurico Brilhante Dias, deputado do PS, questionou o responsável sobre o conhecimento que o próprio e os jornalistas envolvidos na notícia da TVI de 13 de dezembro - que apontava para a resolução do Banif uma semana antes da mesma se verificar - tinham sobre o prazo existente para a venda voluntária se concretizar (18 de dezembro).

"Não. Eu não e acho que a equipa também não. Sabíamos que havia enorme pressão de Bruxelas para que o assunto fosse arrumado antes do dia 31 de dezembro, até por causa das férias. E que tinha que ser antes de 01 de janeiro por causa das novas regras", respondeu o diretor de informação.

"Sabiam que havia pressão para arrumar o assunto nessa semana", questionou o deputado socialista, recebendo uma resposta afirmativa por parte de Sérgio Figueiredo.

Confrontado com a ligação acionista existente entre o grupo espanhol Santander (que atua em Portugal através do Santander Totta, que veio a comprar o Banif) e a Prisa, que detém a Media Capital (dona da TVI), o diretor de informação da estação de Queluz de Baixo afastou categoricamente qualquer relação com a notícia em causa.

"O que está a sugerir insulta a redação e cumpre-me defendê-la", realçou Sérgio Figueiredo perante a questão lançada pelo deputado do PCP Miguel Tiago, garantindo que "do Santander não veio qualquer informação".

A TVI noticiou em 13 de dezembro de 2015 (um domingo à noite) que o Banif ia ser alvo de uma medida de resolução. A notícia terá precipitado a corrida aos depósitos, cuja fuga foi próxima de mil milhões de euros na semana seguinte, segundo revelaram no parlamento vários responsáveis.

Em 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para a nova sociedade veículo.


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