Sepultados irmãos que atacaram sede do Charlie Hebdo

Sepultados irmãos que atacaram sede do Charlie Hebdo

 

AO/lusa   Internacional   18 de Jan de 2015, 09:26

Cherif Kouachi, um dos dois irmãos que matou 12 pessoas no ataque à redação do jornal francês Charlie Hebdo, foi sepultado nos arredores de Paris, num funeral discreto e rodeado medidas de segurança, disse domingo fonte da autarquia.

 

Kouachi foi enterrado pouco antes da meia-noite de sábado num cemitério em Gennevilliers, nos arredores de Paris, onde vivia.

Nenhum parente assistiu ao funeral e a sepultura não ficou identificada para evitar que se torne num "local de peregrinação" para islamistas, adiantou a fonte da autarquia de Gennevilliers.

"A inumação aconteceu às 23:45 horas (menos uma hora em Lisboa) na intimidade. A sua mulher não quis assistir às exéquias. Não foi ninguém", precisou a autarquia

O seu irmão Said Kouachi tinha sido já enterrado na véspera em Reims, no centro da França.

O presidente da câmara, o comunista Patrice Leclerc, explicou que não tinha "outra alternativa legal a não ser permitir o funeral de Cherif Kouachi", mas exigiu que a sepultura fosse anónima.

Recusou, no entanto, o funeral do seu irmão, Said Kouachi, que foi enterrado sexta-feira em Reims, onde vivia, também numa sepultura anónima e sem que tenha sido divulgado o cemitério.

Segundo a legislação francesa, os familiares dos defuntos devem pedir autorização à câmara da localidade do cemitério pretendido. Caso se trate do lugar de residência ou onde se encontre um jazigo de família, essa autorização não pode ser recusada.

Quanto ao funeral do terceiro 'jihadista', Amedy Coulibaly, responsável pela morte de um polícia e pelo sequestro que resultou em quatro mortos num supermercado judeu a 09 de janeiro, uma parte da família disse à agência France Presse não ter ainda tomado uma decisão.

Familiares de Coulibaly vivem em Grigny, nos subúrbios de Paris, onde a câmara municipal, que já se mostrou pouco recetiva a deixar ali fazer o enterro, assegura não ter ainda recebido qualquer pedido de autorização.

Em Fontenay-aux-Roses, onde vivia Coulibaly, as autoridades adiantam que o cemitério não tem um talhão muçulmano.

Outra possibilidade seria organizar os funerais no Mali, de onde é originária a família Coulibaly.

A questão dos funerais dos 'jihadistas', que mataram 17 pessoas em Paris, embaraça as autoridades franceses, uma vez que as autarquias das localidades possíveis para os enterrar querem evitar que as sepulturas se tornem lugares de peregrinagem.

Os irmãos Said e Cherif Kouachi entraram a 07 de janeiro na redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo e mataram 12 pessoas.

Depois de dois dias em fuga, os dois suspeitos do ataque foram mortos, na sequência do ataque de forças de elite francesas a uma gráfica, em Dammartin-en-Goële, onde se tinham barricado.

Um dia depois, Amédy Coulibaly iniciou uma escalada de violência, matando a tiro uma agente da polícia e tomando de assalto um supermercado de produtos judaicos, que resultou na morte de quatro reféns e do próprio Coulibaly, abatido pela polícia.


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