SEDES alerta para necessidade do PEC devolver credibilidade à economia nacional


 

Lusa/AO On line   Nacional   6 de Mar de 2010, 06:45

A SEDES-Associação para o Desenvolvimento Económico e Social considera que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) é uma "oportunidade" para "resolver os problemas nacionais e garantir o apoio dos mercados às nossas finanças públicas".

Num documento intitulado "Não se pode pecar no PEC", subscrito por Campos e Cunha, Medina Carreira, Henrique Neto e João Salgueiro, o grupo de reflexão entende que o PEC "é decisivo para o futuro dos portugueses, para as oportunidades de emprego e para o seu nível de vida" e também para a credibilidade internacional de Portugal.

Contactado pela agência Lusa, Campos e Cunha, ministro de Estado e das Finanças do primeiro governo de Sócrates, disse que "é importante que este PEC seja um PEC de esperança" para os problemas dos portugueses.

"Esta é uma oportunidade que não podemos deixar escapar. A Grécia tem estado sob os holofotes, tomou decisões muito acertadas e duras. A seguir, os holofotes podem dirigir-se para nós. E os holofotes das finanças internacionais significam apenas que se vai prejudicar grandemente o bem estar de todos os portugueses, pagando taxas de juro mais elevadas, tendo mais dificuldades no crédito, havendo mais desemprego", afirmou Campos e Cunha.

"É importante que este PEC seja uma forma credível, um passar de página nas políticas orçamentais que têm vindo a ser seguidas nos últimos dez anos e em particular nos últimos cinco anos", rematou o economista.

No documento emitido sexta feira, a SEDES considera que o Orçamento do Estado para 2010 foi percebido e recebido por todos como uma primeira oportunidade perdida, afirmando que "não se pode pecar com o PEC", porque desta vez, "porventura", Portugal não terá "a complacência das análises de Bruxelas".

Os subscritores do documento enumeram algumas medidas que consideram importantes para que Portugal não perca esta nova "oportunidade", como o "aumento da competitividade", que facilite a "introdução de medidas difíceis" e aumente "a probabilidade de sucesso do PEC".

Uma "situação financeira estável" e a "credibilidade" são também determinantes: "Ninguém acredita em programas de estabilização das finanças públicas com medidas fortes apenas para daqui a três ou quatro anos. Quanto mais rápido for o ajustamento mais credível e menos custos terá", alerta o documento.

"Sem recurso a privatizações, caso se pretendesse estabilizar a dívida pública em 2010, o défice público dever ia rondar 1,2%. E, neste caso, ainda não estaríamos a pagar o que devemos, apenas a estancar a bolha do endividamento. Por isso, devemos ser rigorosos com as contas públicas, não só por imposição do PEC mas fundamentalmente porque é necessário garantir a nossa estabilidade financeira, condição para o crescimento", afirmam os economistas para explicar "a gravidade da situação".

O Conselho de Ministros extraordinário para apreciar o Programa de Estabilidade Crescimento terá lugar hoje a partir das 09:30, disse à agência Lusa fonte do gabinete do primeiro ministro. Na segunda feira terá início uma série de reuniões do Governo com as forças políticas e os parceiros sociais.


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