Secretário-geral da ONU adverte que mundo multipolar de hoje não garante paz nem prosperidade

Secretário-geral da ONU adverte que mundo multipolar de hoje não garante paz nem prosperidade

 

LUSA/AO Online   Internacional   14 de Mai de 2017, 14:41

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou hoje, em Pequim, que a ascensão da China demonstra que já estamos num novo mundo multipolar, mas que este "não garante a paz nem a prosperidade" globais.

Nesse novo mundo, com mais de uma potência hegemónica, “a China é mais necessária do que nunca”, sublinhou o diplomata português na abertura do Fórum Internacional de Cooperação das Novas Rotas da Seda, que decorre em Pequim hoje e segunda-feira, com a participação de líderes de três dezenas de países. Esta iniciativa “tem um potencial imenso, pelo amplitude da sua geografia e as suas ambições”, observou Guterres. O secretário-geral da ONU apontou que num mundo cheio de desafios, entre os quais citou a ameaça do terrorismo, uma das principais obrigações passa por “revitalizar a cooperação para o bem comum, a fim de se construir uma vida em paz e dignidade para todos”. A iniciativa liderada pela China vai ajudar a “melhorar a conectividade” e a “conseguir uma transição para economias de baixo carbono”, algo essencial no combate às alterações climáticas. Guterres sublinhou o cada vez maior compromisso internacional por parte da China através da ONU, tanto pelas suas promessas de contribuir mais para a luta contra o aquecimento global como pela sua participação em missões de paz das Nações Unidas. Os projetos que a China pretende impulsionar, a partir da cimeira que arrancou hoje, e decorre até segunda-feira, “trazem ecos da antiga Rota da Seda” e são “um primeiro passo rumo à prosperidade”, concluiu o secretário-geral da ONU. O Presidente da China anunciou hoje milhares de milhões de dólares para projetos que integrem a iniciativa Novas Rotas da Seda, ambicioso projeto de infraestruturas com qual Pequim pretende cimentar as suas relações comerciais na Ásia, Europa e África. Xi Jinping fez o anúncio diante de líderes de cerca de 30 países durante o discurso de abertura do fórum de cooperação internacional “Uma Faixa, Uma Rota”, “versão simplificada de “Faixa Económica da Rota da Seda e da Rota Marítima da Seda para o Século XXI”, o projeto de investimento impulsionado pela China para reforçar a posição como centro comercial e financeiro da Ásia. A China vai contribuir com 100.000 milhões de yuan (14.500 milhões de dólares ou 13.000 milhões de euros) adicionais para o Fundo da Rota da Seda - montado em 2014 para financiar projetos de infraestruturas - e providenciar ajuda, nos próximos três anos, no valor de 60.000 milhões de yuan (8.700 milhões de dólares ou 8.000 milhões de euros) a países em desenvolvimento e a organizações internacionais que participem na iniciativa. Dois bancos chineses vão também oferecer empréstimos especiais de até 380.000 milhões de yuan (55.000 milhões de dólares ou 50.000 milhões de euros) para apoiar “Uma Faixa, Uma Rota”. “Devemos construir uma plataforma aberta de cooperação e manter e desenvolver uma economia mundial aberta”, afirmou Xi, na abertura do fórum, onde Portugal se faz representar pelo secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira. Xi, que idealizou este plano internacional de infraestruturas durante uma visita oficial à Ásia Central em 2013, ambicionando com este projeto simbolicamente reavivar a antiga Rota da Seda, o corredor económico que uniu o Oriente o Ocidente.

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