Secretário de Estado das Comunidades visita sinistrados em Ceuta


 

Lusa/AO On line   Nacional   9 de Set de 2010, 06:38

A ansiedade de voltar a casa domina os portugueses feridos na quarta feira num acidente de autocarro em Marrocos, que sobreviveram ao desastre que matou nove companheiros de viagem.

Dora Martins e o marido, de Aveiro, sobreviveram com ferimentos, mas aguardam “com muita ansiedade” o regresso, devendo permanecer em observação pelo menos mais 12 horas” devido a uma lesão torácica.

“É esta angústia de estar longe de casa e de querer ir embora para um hospital português”, disseram aos jornalistas portugueses no hospital da cidade de Tetouan, onde estão 11 dos feridos.

Ana Sofia Nunes, assistente da excursão que levava até Tetouan os passageiros do paquete Funchal, atracado em Ceuta, recordou à Agência Lusa os momentos do desastre, quando, debaixo de chuva, o autocarro em que seguiam começou “às guinadas para um lado e para o outro”.

“De repente, começou a saltar, guinou e foi parar à faixa contrária e caiu (...). Só me apercebi que alguma coisa estava mal quando o guia, que seguia no ‘lugar do morto’, saiu do lugar e veio literalmente deitar-se no corredor, a agarrar-se para se proteger”, relatou.

Quando o autocarro parou depois do despiste, viu que “as pessoas estavam amontoadas na parte detrás, foram sacudidas”.

Ana Sofia Nunes foi a primeira a sair do autocarro e deitou-se na relva, quando começaram a sair as outras vítimas, “ensanguentadas e todas feridas” e começou a ouvir os pedidos de ajuda das pessoas que tinham ficado encarceradas.

“Os vidros não se partiram, estilhaçaram-se”, afirmou, contando que as pessoas que testemunharam o acidente se dirigiram imediatamente para o autocarro para ajudar.

“Em 15 minutos”, chegaram ambulâncias para começar a levar os feridos mais graves, depois de os enfermeiros e médicos que seguiam na excursão terem feito uma primeira triagem.

Com uma fratura na perna, Ana Sofia Nunes afirmou esperar o regresso a Portugal na quinta feira, destacando a assistência prestada pelo pessoal médico e pelos bombeiros marroquinos: “super prestativos”, descreveu.

Internada no mesmo hospital com um traumatismo craniano, Ricardina Lima, de Odivelas, só estava preocupada com uma coisa: saber da colega que viajava com ela e dizer à mulher da limpeza para lhe deixar a casa fechada.

“Estou bem, não sou das pessoas que estão pior”, afirmou.

Conseguida a chamada para casa, graças a um telemóvel do secretário de Estado das Comunidades, António Braga, que visitou os feridos em Tetouan, contou que vinha no autocarro “a olhar para a paisagem, de um lado o mar, do outro umas casas muito bonitas”.

Foi então que começou “a ouvir gritar, o autocarro começou a andar aos esses e guinou para o separador central da estrada”.

“Vinha uma colega comigo, mas não sei dela. Era suposto ter caído por cima de mim, porque vinha ao meu lado”, lamentou.

Quanto a outros passageiros internados em Tetouan, sobreviveram ao despiste, mas alguns perderam familiares, que estão entre os nove mortos provocados pelo acidente.

Um dos feridos conseguiu sair do autocarro com vida, mas a mulher “ficou esmagada” dentro do veículo. Outra passageira perdeu dois familiares.

Nos hospitais em que estão internados, os feridos portugueses receberam assistência de um médico do Instituto Nacional de Emergência Médica que viajou com a comitiva do secretário de Estadodas Comunidades.

Nove mortos, 19 feridos graves e 17 ligeiros é o último balanço do acidente de viação que envolveu passageiros do paquete Funchal.

Além dos internados em Tetouan há também feridos portugueses a serem assistidos em Ceuta.


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