Secretário de Estado da Indústria diz que interior de Portugal e ilhas precisam de incubadoras de 'startup'

Secretário de Estado da Indústria diz que interior de Portugal e ilhas precisam de incubadoras de 'startup'

 

LUSA/AO Online   Economia   3 de Abr de 2016, 15:02

O secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, afirmou que o interior do país e as ilhas precisam de incubadoras de 'startups' e avançou que quer fortalecer o relacionamento com Espanha através das regiões do interior.

“Há regiões que precisam de incubadoras. Há vários casos em que há lacunas, por exemplo no interior e nas ilhas [Madeira e Açores]. Queremos fortalecer o relacionamento com Espanha através das regiões do interior”, disse João Vasconcelos, que foi diretor executivo da Startup Lisboa antes de exercer funções no Governo, em entrevista à Agência Lusa. No início de março, o Governo lançou a Startup Portugal, uma estratégia nacional com quinze medidas para o empreendedorismo, uma delas precisamente a criação de uma Rede Nacional de Incubadoras. “São precisas mais incubadoras de agroalimentar, do mar, de energia. Ao fazermos a rede nacional vamos saber as regiões onde há lacunas e os setores em falta”, disse João Vasconcelos. O secretário de Estado sublinhou o papel das autarquias: “A partir do momento em que os municípios fazem parte deste movimento tudo muda, porque em termos de 'startups' [empresas em início de atividade] estamos a concorrer entre cidades e regiões com o resto da Europa”. A estratégia lançada pelo Governo visa criar e apoiar o ecossistema à escala nacional, atrair investidores, cofinanciar 'startups', apoiar as 'startups' portuguesas nos mercados externos e implementar as medidas públicas de apoio ao empreendedorismo. João Vasconcelos falou da evolução das incubadoras em Portugal e de que como estas passaram de ninhos de empresas, com rendas mais baixas, serviços administrativos e salas de reuniões partilhadas, nos anos 80 e 90, para outras de base mais científica, quase todas ligadas às universidades e para as mais recentes, já de apoio a negócios independentemente de serem científicos ou não, como a Startup Lisboa, a Startup Braga ou mais recentemente a Startup Santarém. “Estas incubadoras estão muito associadas às câmaras ou aos governos regionais, no caso dos Açores e da Madeira. Estão muito associados a um modelo de negócio onde não associam o empreendedorismo só à ciência ou ao conhecimento. A Padaria Portuguesa provavelmente criou mais postos de trabalho do que outras empresas de natureza científica”, disse. A Made In, em Famalicão, é também uma incubadora para o setor têxtil, e a Open é uma incubadora industrial no setor dos plásticos e moldes, na Marinha Grande, lembrou. Segundo João Vasconcelos, o que caracteriza estes espaços, além de uma renda um pouco abaixo do preço de mercado, é a existência de mentores e o acesso a investidores e eventos, que permitem às empresas saber o que andam todos a fazer. “Quando um comete um erro os outros aprendem todos lá no prédio, quando um deteta uma oportunidade os outros também aprendem”, disse, contando que quando estava na Startup Lisboa chegou a observar a reação de investidores que vinham dos EUA ou de Londres ao depararem-se com várias empresas no mesmo espaço. “Quando [o investidor] percebia que estava num prédio com mais 50 empresas, almoçava com uns, jantava com outros, fazia ‘surf’ com outros. A vantagem de estar numa comunidade é isto”, disse.

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