Secas mais frequentes impedem recuperação dos ecossistemas

Secas mais frequentes impedem recuperação dos ecossistemas

 

Lusa/AO online   Ciência   9 de Ago de 2017, 17:30

Secas mais frequentes podem impedir a recuperação total dos ecossistemas, levando-os a entrar em colapso e à modificação dos habitats, alerta um estudo a ser publicado quinta-feira na revista Nature.


O período de recuperação de um período de seca depende de vários fatores, como a região do mundo e as condições meteorológicas depois da seca, e pode demorar seis meses ou nem chegar a acontecer na totalidade, dizem os autores do trabalho, um deles William Anderegg, da Universidade de Utah.

A investigação, financiada pela Fundação Nacional para a Ciência dos Estados Unidos e pela agência espacial norte-americana NASA, lembra que a seca pode ser definida de várias formas, meteorológica (menos chuva do que o normal), agrícola (agricultura e plantas prejudicadas) e hidrológica (fontes de água começam a secar).

Segundo William Anderegg, a recuperação dos três tipos não acontece ao mesmo tempo nem é igual em todas as partes do mundo, e as plantas não recuperam imediatamente após as primeiras chuvas.

As plantas, segundo o investigador, podem sofrer danos de longo prazo devido às secas, ou "podem ficar irreversivelmente danificadas". Podem por exemplo "perder parte dos seus sistemas de transporte de água, um dano que pode levar anos a reparar-se", ou sofrer impactos ainda mais severos, como doenças e incêndios, exemplificou.

E a recuperação, adiantou Anderegg, depende das condições climáticas após a seca, com o tempo húmido a acelerar a recuperação e o tempo seco ou temperaturas extremas a atrasa-la. E depende da localização, com a maioria do planeta a recuperar em menos de seis meses, havendo áreas que precisam de um ano e outras, como no Ártico e os trópicos da América do Sul e Sudeste Asiático, que precisam de até dois anos.

William Anderegg notou que com as alterações climáticas a previsão é de extensão da seca, o que aumentará a probabilidade de os ecossistemas serem atingidos por uma nova seca antes de se recuperarem da anterior.

E nesse caso o ecossistema pode entrar em colapso, com as plantas a serem afetadas permanentemente e as florestas verdes a darem lugar a capim e arbustos.

No estudo salienta-se que no século XX aumentou a área total do planeta abrangido por secas e os tempos de recuperação também se tornaram mais longos.



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