Seabra sofria apenas de "distúrbios emocionais"

Seabra sofria apenas de "distúrbios emocionais"

 

Lusa/AO online   Internacional   26 de Out de 2012, 09:27

Renato Seabra sofria apenas de "distúrbios emocionais" e não há provas de ter desenvolvido um "episódio maníaco" antes do homicídio de Carlos Castro defendeu quinta-feira em tribunal um psicólogo chamado pela acusação.

William Barr, diretor de neuropsicologia na New York University, hoje questionado pela procuradora Maxine Rosenthal, diagnosticou no início de 2012 a Seabra "distúrbios emocionais com traços psicóticos em remissão total", após seis horas de entrevista pessoal e de rever os registos dos diferentes médicos que o avaliaram e as provas do crime.

"Não vi provas convincentes de que antes de 07 de janeiro [de 2011] Seabra estivesse a entrar num estado maníaco", disse hoje em tribunal, contrariando a tese da defesa de que Seabra estavam num estado psicótico e, como tal, não tem responsabilidade criminal.

Os sintomas, adiantou, poderiam seriam mudanças humor rápidas, irritabilidade ou falta de sono.

Apesar de o réu referir falta de sono e pensamentos confusos 2 a 3 dias antes do crime, este período é "muito mais curto do que seria de esperar" em alguém a entrar num estado maníaco.

Escudando-se em relatórios de médicos que avaliaram o jovem em três unidades psiquiátricas, afirma que na altura do crime, o jovem "estava em pensamento delirante, num episódio maníaco e desordem bipolar com caraterísticas psicóticas graves" e, como tal, não deve ser considerado culpado

Barr rejeitou que o Seabra sofra de desordem bipolar, defendendo que não revelou na entrevista qualquer historial de eclosão da doença mental e que o período médio entre os primeiros sintomas e uma psicose é de dois anos, e de 20 semanas até um episódio com as caraterísticas violentas do crime.

"Desenvolver sinais desordem maníaca num período tão curto de dias é incrivelmente raro", defendeu Barr.

A acusação sustenta que foi "raiva, desilusão e frustração" a levar Renato Seabra a matar o colunista social, diretamente ligada ao fim da relação e que, como tal, é criminalmente responsável.

Na quarta feira, quando questionado pela procuradora Maxine Rosenthal, o psicólogo contratado pela defesa, Jeffrey Singer admitiu que pode ter sido o homicídio de Carlos Castro o incidente que despoletou a psicose diagnosticada ao jovem nos hospitais em que passou posteriormente.

A tese da procuradora é que não há provas de loucura antes do crime e que aquilo que leva ao diagnóstico de psicótico ocorreu durante ou após o crime.

O tipo de distúrbios emocionais identificados são de "natureza não especificada", com alguns sinais a apontar para depressão e outros para desordem bipolar, sen nenhum encaixar totalmente no jovem, defende o neuropsicólogo.

Diagnosticou ainda "distúrbios de pânico em remissão total", um tipo de "ansiedade aguda, que acontece em episódios específicos".

A Barr, Seabra disse que foram "vozes" que lhe disseram para matar Castro e mutilar o corpo.

O neuropsicólogo pôs também em causa a veracidade destas vozes, em particular quando Seabra diz que ao sair do quarto estas vozes "disseram que as coisas iam ficar bem, que o corpo de Castro ia desaparecer e que as vozes iam limpar o quarto".

"Geralmente [alucinações de comando ou "vozes"] fazem comentários sobre as coisas, dão ordens, mas não dizem 'não te preocupes parceiro, nós tratamos disso´. É bastante invulgar", defendeu.

O psicólogo disse ainda que, após a conclusão da segunda de três entrevistas de duas horas, o advogado de defesa falou com o Seabra e chamou Barr para informar que o jovem tinha mais para lhe dizer - que o "demónio" que tinha anteriormente dito que queria "cortar" de Castro era a homossexualidade.

Na quarta feira, a acusação sugeriu que Seabra fingiu ter problemas mentais durante o internamento, após encontros com o seu advogado.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.